13º injeta R$ 39 bilhões em SP e RJ, mas dívidas e juros altos devem engolir parte da renda extra

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22 de novembro de 2025

O pagamento do 13º salário promete movimentar o comércio e reforçar o caixa de milhões de famílias em São Paulo e no Rio de Janeiro neste fim de ano, com impacto estimado de R$ 39 bilhões nas duas economias. Apesar disso, o alto nível de endividamento e o custo elevado do crédito devem direcionar grande parte da renda extra para o pagamento de contas, limitando o impulso ao varejo.

Em São Paulo, o Sindilojas-SP projeta que até R$ 30,8 bilhões entrem na economia local com as duas parcelas do 13º, alta de 6,3% em relação a 2024. O dado considera apenas trabalhadores formais e exclui aposentados e pensionistas, que podem ter recebido antecipações do benefício. Para Aldo Nuñez Macri, presidente da entidade, o dinheiro extra tem função dupla: ajuda a recuperar o equilíbrio financeiro das famílias e impulsiona o varejo no período mais aquecido do ano. “O 13º permite ao trabalhador organizar as contas, quitar dívidas e ainda movimentar o comércio”, afirma.

Mas ao mesmo tempo em que ele injeta recursos, o endividamento crescente cria uma pressão imediata. A Fecomercio-SP aponta que 72,7% das famílias paulistanas estavam endividadas em setembro, maior nível em mais de dois anos. Mesmo assim, dezembro tende a ser positivo: em 2024, o faturamento do varejo na capital cresceu 20% neste mês, puxado por setores como vestuário e eletrônicos. Macri lembra, porém, que receita maior não significa lucro maior, já que custos típicos do período, como horas extras e o próprio pagamento do 13º aos colaboradores, encarecem a operação. Além disso, juros altos e preços pressionados ainda restringem o consumo.

No Rio de Janeiro, o cenário é semelhante, mas parte de uma base mais fragilizada. Dados do CDLRio e do SindilojasRio indicam que a segunda parcela do 13º deve injetar mais de R$ 8,5 bilhões na economia fluminense. Isso deve ajudar a recuperar parte das perdas ao longo de 2025, já que o comércio carioca registrou queda de 2,1% nas vendas entre janeiro e setembro, enquanto o Brasil como um todo cresceu 1,5%. Para Aldo Gonçalves, presidente das entidades, o desempenho fraco do varejo ao longo do ano reforça a importância da renda extra. “O consumidor está com o décimo terceiro no bolso, e o varejo precisa oferecer produtos atrativos para capturar esse momento”, diz.

A pressão do crédito, porém, pesa ainda mais no Estado: 88,7% das famílias estavam endividadas em outubro, percentual muito acima da média nacional. Isso limita especialmente setores dependentes de financiamento, como móveis e eletroeletrônicos. Ainda assim, há expectativa de aumento pontual nas vendas de fim de ano, impulsionado pelo Natal e por promoções mais agressivas. No geral, o 13º oferece um fôlego importante, mas também expõe a fragilidade financeira das famílias brasileiras, e o impacto direto disso no desempenho do varejo.

Visão Bolso do Investidor

O uso do 13º salário revela o estado real da economia: quando a maior parte da renda extra é direcionada para quitar dívidas, o consumo perde força, e isso se reflete diretamente no varejo. Para o investidor, o cenário indica um ambiente ainda pressionado por juros elevados, mas com potenciais oportunidades nos setores mais resilientes e nas empresas bem posicionadas para capturar a demanda de fim de ano. Ao mesmo tempo, reforça a importância da educação financeira para o consumidor, e do planejamento para quem investe.

Fontes: InfoMoney; Estadão; Reuters