Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 5 de novembro de 2025

Falta de reserva e planejamento preocupa especialistas
Quase metade dos brasileiros ainda não possui dinheiro guardado para lidar com imprevistos, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (4). O levantamento, encomendado pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), revela que 43% dos entrevistados não têm nenhuma reserva financeira, apesar de 59% afirmarem que se consideram pessoas planejadas com o próprio dinheiro.
A falta de poupança é mais expressiva entre a classe C, que representa 78% dos participantes sem qualquer valor guardado. O estudo ouviu 2 mil pessoas das classes A, B e C, com 18 anos ou mais e acesso à internet, em todas as regiões do país, entre 16 e 29 de julho de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Emergências financeiras e descontrole orçamentário
O levantamento mostra que 84% dos brasileiros enfrentaram algum tipo de emergência financeira nos últimos 12 meses, como atrasos em contas, empréstimos, uso de crédito ou negativação do nome. Metade dos entrevistados (52%) diz ter uma noção das despesas mensais, mas sem saber exatamente quanto gasta.
Esses dados evidenciam uma falta de controle orçamentário que dificulta a criação de reservas. Mesmo entre aqueles que afirmam planejar seus gastos mensais — 64% dos entrevistados —, 39% relatam conseguir pagar as contas sem sobra de dinheiro, e 19% admitem que nem sempre conseguem quitar todas as despesas.
O que é uma reserva de emergência
A chamada reserva de emergência é um valor guardado especificamente para cobrir imprevistos — como perda de emprego, despesas médicas ou consertos urgentes — sem comprometer o orçamento mensal. Em geral, especialistas recomendam acumular o equivalente a de três a seis meses do custo de vida mensal em aplicações de alta liquidez e baixo risco, como Tesouro Selic ou CDBs com resgate imediato. Essa prática oferece segurança e evita o endividamento em momentos de aperto.
Baixa adesão ao planejamento patrimonial
Outro ponto de destaque do estudo é o baixo nível de planejamento de longo prazo. Embora 56% dos entrevistados já tenham pensado em como distribuir seus bens, apenas 7% formalizaram um testamento. Além disso, 57% não contam com qualquer tipo de auxílio financeiro, e apenas 2% já contrataram um planejador — mesmo que quase metade (49%) diga ter intenção de fazê-lo no futuro.
Satisfação financeira ligada ao controle de gastos
Quando perguntados sobre a própria situação financeira, 46% dos brasileiros se declararam insatisfeitos, 38% disseram estar neutros e apenas 16% demonstraram satisfação. A pesquisa também identificou uma correlação direta entre satisfação financeira e controle de despesas: entre os satisfeitos, 82% acompanham regularmente seus gastos, enquanto entre os insatisfeitos esse percentual cai para 55%.
Visão Bolso do Investidor
Os resultados reforçam a importância da educação financeira como ferramenta essencial para estabilidade econômica e qualidade de vida. A ausência de reserva de emergência deixa o brasileiro mais vulnerável a dívidas e imprevistos, especialmente em um cenário de juros altos e crédito caro. Para o investidor, o estudo mostra que a base de qualquer estratégia financeira sólida começa no controle de gastos e na formação de uma reserva, antes mesmo de buscar rentabilidade em investimentos mais complexos.
Fontes: InfoMoney; Bloomberg; Estadão; Reuters; O Globo.
