Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data de publicação: 29/09/2025
Mesmo com o Ibovespa rondando recordes — o índice chegou a 146.491 pontos no fechamento do dia 24 —, analistas ouvidos pela reportagem original afirmam que a Bolsa brasileira segue com espaço para valorização. O argumento central é que a alta recente foi muito apoiada por fluxo e melhora de humor, sem exaurir o potencial de reprecificação dos fundamentos: os múltiplos médios do mercado continuam abaixo da média histórica (o P/L de referência citado é 10,9x). Soma-se a isso a concentração do índice em poucas ações muito pesadas — Vale, Itaú, Petrobras (ON e PN) e Banco do Brasil respondem por mais de 30% da carteira teórica —, o que deixa uma ampla “faixa intermediária” de empresas com pouca representatividade no índice e, segundo os especialistas, ainda negociadas a desconto. A partir dessa leitura, quatro casas elencaram nove papéis que consideram atrativos hoje, cada qual por motivos específicos.
Movida (MOVI3). A tese é de recuperação operacional com alavancagem sob controle. O diagnóstico é que a dívida está saudável quando comparada ao lucro operacional e ao fluxo de caixa, o que abre margem para reprecificação conforme a locadora normaliza margens e eficiência depois de um ciclo mais difícil no setor.
Petz (PETZ3). Além do vento a favor estrutural do mercado pet, o gatilho potencial está na possível aprovação, pelo Cade, de uma combinação com a Cobasi. Mesmo sem essa fusão, a visão é de demanda crescente por serviços e produtos do segmento, o que sustentaria expansão de receita e ganho de escala.
B3 (B3SA3). A operadora da Bolsa aparece como “caso trivial” de qualidade: margens excepcionalmente altas e negócio diretamente exposto ao crescimento do mercado de capitais doméstico. Em cenários de atividade maior — mais ofertas, negociações e listagens —, a receita tende a acompanhar.
Suzano (SUZB3). O racional junta ciclo e câmbio: recuperação dos preços globais da celulose e desvalorização do real favorecem as receitas. O Projeto Cerrado, que amplia capacidade com custos competitivos, é visto como peça-chave para reforçar posição no setor e capturar o próximo ciclo positivo.
Minerva (BEEF3). A exportadora de proteína bovina se beneficia de demanda externa e de um câmbio que ajuda as margens na conversão. O papel ainda carrega desconto frente ao potencial, embora haja riscos inerentes de custo de insumos, volatilidade cambial e temas sanitários/regulatórios nos mercados de destino.
Petrobras (PETR4). A estatal negocia com P/L considerado baixo para o porte e a geração de caixa. Entra no radar a perspectiva de distribuição robusta de dividendos projetada para 2026. O contraponto são os riscos de petróleo (preço e geopolítica), política de combustíveis e eventuais intervenções.
Bradesco (BBDC4). Vista como “barata relativa” frente ao par Itaú, a ação negocia a P/L em torno de 8,9x. A aposta é que a limpeza de crédito e a normalização da inadimplência possam destravar resultados e encurtar a distância de valuation, desde que a execução operacional acompanhe.
Eztec (EZTC3). A incorporadora, focada em médio e alto padrão, aparece como escolha do setor imobiliário para um ambiente de juros em queda. O P/L de aproximadamente 7,3x e o histórico de disciplina financeira sustentam a tese de reprecificação conforme o ciclo imobiliário avança.
Blau Farmacêutica (BLAU3). Caso de reviravolta pós-IPO: a companhia “se reinventou”, abrindo frentes de produtos e reduzindo a dependência de licitações públicas. A visão do gestor citado é de aceleração de projetos que, a partir de 2028, podem dobrar a receita — tese de médio prazo com pipeline industrial.
Embora todas sejam chamadas de “baratas”, os próprios especialistas ressaltam que isso não significa ausência de risco. Cada papel carrega seus desafios: execução, alavancagem, ciclos setoriais, regulação, câmbio ou sensibilidade macro. O ponto comum é a existência de catalisadores claros — reestruturações, fusões, expansão de capacidade, normalização de crédito, ciclo de commodities ou retomada do mercado de capitais — que, se confirmados, podem levar a uma reavaliação de múltiplos. Para o investidor, a mensagem é de seletividade e paciência: são teses que pedem horizonte mais longo, tolerância a volatilidade e acompanhamento de marcos de execução para se materializarem.
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