Haddad desiste de viagem à ONU e prioriza pacote tributário; risco fiscal volta ao radar

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 20 de setembro de 2025


Mudança de rota: de Nova York para Brasília

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, optou por não integrar a comitiva presidencial que viaja à Assembleia Geral da ONU, em Nova York, prevista para os próximos dias. Em vez disso, ele permanecerá em Brasília para focar na tramitação de medidas tributárias consideradas críticas para as finanças públicas do Brasil.


Foco nas propostas mais sensíveis

As propostas centrais que Haddad vai acompanhar de perto incluem:

  • A isenção de Imposto de Renda para salários de até R$ 5.000 mensais, relatada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, com apresentação prevista aos líderes na terça-feira da próxima semana.
  • A MP publicada em junho que eleva tributos sobre determinados setores da economia, com estimativas de arrecadação de R$ 10,5 bilhões em 2025 e R$ 20,9 bilhões em 2026, que precisa passar pelo Congresso para não perder validade.

Impasse político e fiscal cresce

Embora essas medidas sejam prioritárias para o governo, há fortes resistências legislativas. O custo fiscal estimado para isenção do IR (até R$ 5 mil) é de aproximadamente R$ 25 bilhões ao ano, gerando debates sobre como compensar a perda de arrecadação.

Com a saída do União Brasil da base aliada, a articulação política do Planalto tem se mostrado mais complicada, o que torna incerta a aprovação de propostas que dependem de maioria qualificada.


Consequências para os mercados financeiros

  • A indefinição ou atraso na aprovação de medidas tributárias pode gerar pressão sobre juros futuros, uma vez que os investidores poderão exigir prêmios maiores por risco fiscal e orçamentário.
  • A percepção de risco-país pode aumentar caso o Congresso adie ou altere substancialmente os textos previstos, o que pode pesar sobre câmbio e títulos públicos.

Fechamento explicativo:
A decisão de Haddad de ficar em Brasília reflete a percepção de que a tramitação do IR até R$ 5 mil e da MP tributária são determinantes para o equilíbrio fiscal do governo. O sucesso dessas pautas torna-se decisivo para manter credibilidade no mercado e evitar pressão sobre juros ou risco país. Para investidores, acompanhar o desenrolar dessas votações será crucial: aprovação pode aliviar incertezas; atraso ou recuo, aumentar custos de financiamento e volatilidade.


Fontes: