Em Nome do Povo – Resumo

Autor: Bruno Perini
Publicado: 2024


Introdução – O casamento entre Estado e moeda

Bruno Perini abre o livro com uma denúncia clara e provocadora: o dinheiro que usamos todos os dias é controlado pelo Estado de forma que beneficia poucos e empobrece a maioria. Ele explica que a união entre governo e moeda — algo que parece natural para muitos — é, na verdade, um dos maiores mecanismos de concentração de poder da história.

A tese central apresentada logo no início é que a inflação não é apenas um fenômeno econômico, mas um imposto disfarçado. Governos emitem mais moeda para financiar seus gastos, o que corrói silenciosamente o poder de compra da população. Assim, quem poupa em moeda corrente perde riqueza ao longo do tempo, enquanto aqueles que estão mais próximos do poder — bancos, grandes empresas, elites políticas — são os primeiros a se beneficiar da expansão monetária.

Perini destaca que essa manipulação da moeda tem consequências profundas: gera ciclos de prosperidade artificial seguidos de crises, amplia desigualdades e mantém o cidadão comum em uma corrida sem fim para “não ficar para trás”. Ele argumenta que o Estado, ao controlar a moeda, cria um mecanismo de dependência, no qual o povo precisa constantemente de mais regras, programas e auxílios para lidar com problemas que, muitas vezes, foram criados pelo próprio governo.

Outro ponto forte da introdução é o paralelo histórico. O autor mostra como impérios e governos ao longo dos séculos recorreram ao mesmo expediente: desvalorizar a moeda como forma de manter-se no poder. Do Império Romano à modernidade, a estratégia se repete — sempre com o mesmo resultado: concentração de poder e empobrecimento coletivo.

Perini também provoca o leitor ao afirmar que a maioria das pessoas não percebe esse mecanismo porque a educação financeira é limitada, e os efeitos da inflação ocorrem de maneira gradual, quase invisível. Poucos entendem que perder 5% ou 10% do poder de compra por ano significa, no longo prazo, abrir mão de uma parte enorme da riqueza construída com trabalho.

Assim, já na introdução, o autor deixa claro que este não é apenas um livro de economia, mas um convite à consciência crítica. Ele quer mostrar como o casamento entre Estado e moeda afeta diretamente a vida de todos nós, e por que compreender esse processo é fundamental para se proteger — e, principalmente, para não ser enganado por discursos políticos que dizem agir “em nome do povo”.

Capítulo 1 – O poder da moeda

Bruno Perini inicia o primeiro capítulo explicando que a moeda é a base de toda a organização social moderna. Sem ela, o funcionamento da economia como conhecemos seria impossível. A moeda é um instrumento de troca, unidade de conta e reserva de valor — mas, quando manipulada, torna-se também uma poderosa ferramenta de controle político e econômico.

Ele destaca que, no início das civilizações, o dinheiro surgiu como uma forma de simplificar trocas. A sociedade saiu do escambo para algo mais eficiente, utilizando metais preciosos como ouro e prata. Esses metais tinham valor intrínseco, o que dificultava sua manipulação. O problema, segundo Perini, começou quando os governos perceberam que poderiam centralizar a emissão de moeda, controlando sua circulação e, com isso, influenciando diretamente a economia.

O autor explica que, ao longo da história, quem controla a moeda controla o povo. Governos e impérios entenderam que, em vez de aumentar impostos diretamente — o que geraria revoltas —, era mais conveniente emitir mais moeda ou adulterar o valor do dinheiro em circulação. Esse processo gera inflação, que corrói o poder de compra da população de forma lenta e quase imperceptível, funcionando como um “imposto invisível”.

Perini ressalta que o poder da moeda é tão grande que chega a moldar comportamentos sociais. Quando há desvalorização constante, as pessoas perdem o incentivo de poupar e passam a consumir imediatamente, com medo de que seu dinheiro valha menos no futuro. Isso gera um ciclo de curto-prazismo, onde ninguém pensa em longo prazo, beneficiando aqueles que estão mais próximos da máquina estatal, capazes de antecipar e lucrar com as mudanças.

Outro ponto abordado é que a confiança na moeda é o que sustenta seu valor. Diferente de tempos passados, em que o dinheiro estava lastreado em metais preciosos, hoje o valor da moeda é fiduciário, ou seja, depende da confiança das pessoas no governo e no sistema financeiro. O problema, como Perini mostra, é que essa confiança pode ser manipulada por políticas irresponsáveis, resultando em crises recorrentes.

Ele ainda cita exemplos históricos de como a manipulação da moeda foi utilizada para sustentar regimes. Do Império Romano, que reduzia a quantidade de prata nas moedas, até governos modernos que imprimem dinheiro em excesso, a lógica é sempre a mesma: o Estado se beneficia, enquanto o povo paga a conta.

O capítulo termina com uma provocação: se o dinheiro é a base da vida em sociedade, não deveríamos questionar por que entregamos seu controle absoluto ao Estado?. Perini deixa claro que compreender o poder da moeda é o primeiro passo para entender como governos a utilizam em benefício próprio, sempre sob a justificativa de agir “em nome do povo”.

Capítulo 2 – A inflação como imposto invisível

Bruno Perini abre este capítulo explicando que a inflação é um dos instrumentos mais poderosos — e ao mesmo tempo mais perversos — utilizados pelo Estado para financiar seus gastos. Diferente dos impostos tradicionais, que são cobrados de forma explícita, a inflação atua silenciosamente, corroendo o poder de compra das pessoas sem que a maioria perceba.

Ele argumenta que, ao imprimir moeda ou expandir artificialmente o crédito, o governo injeta mais dinheiro na economia sem que haja aumento proporcional na produção de bens e serviços. O resultado é previsível: os preços sobem. Para quem está mais distante da “torneira” da nova emissão — ou seja, o cidadão comum —, a consequência é clara: trabalhar mais para comprar menos.

Perini destaca que a inflação afeta de maneira desigual diferentes grupos sociais. Os mais ricos, com acesso a ativos reais e financeiros (como imóveis, ações e investimentos dolarizados), conseguem proteger seu patrimônio. Já os mais pobres, que dependem basicamente da moeda corrente, sofrem diretamente com a perda de valor, pois seus salários não acompanham o ritmo da desvalorização. Assim, a inflação funciona como um imposto regressivo, que pesa proporcionalmente mais sobre os que têm menos.

O autor ainda explica que a inflação cria um efeito psicológico devastador: a sensação constante de que é preciso correr para não ficar para trás. Pessoas que poderiam poupar acabam consumindo imediatamente, com medo de que o dinheiro perca valor. Isso reforça um ciclo de dependência e instabilidade, impedindo a construção de patrimônio de longo prazo.

Historicamente, Perini mostra que governos de diferentes épocas recorreram à inflação como forma de financiar guerras, projetos políticos ou programas populistas. Como aumentar impostos de forma direta costuma gerar revolta popular, inflacionar a moeda se torna um caminho “mais fácil e silencioso”. O problema é que esse processo mina a confiança da população e, em casos extremos, pode levar à hiperinflação, como ocorreu no Brasil nos anos 1980 e 1990, ou mais recentemente na Venezuela e no Zimbábue.

Outro ponto levantado é que a inflação, embora seja resultado de políticas estatais, raramente é apresentada dessa forma ao povo. Governos e meios oficiais costumam culpar fatores externos — como choques de oferta, crises internacionais ou “ganância dos empresários”. Essa narrativa ajuda a esconder o verdadeiro culpado: a política monetária e fiscal irresponsável.

Em conclusão, o capítulo reforça a ideia de que a inflação é um imposto invisível, mas talvez o mais cruel de todos, porque retira poder de compra de forma silenciosa, perpetua desigualdades e enfraquece a confiança na moeda. Para Perini, compreender esse mecanismo é essencial para não cair no discurso político que justifica a desvalorização da moeda como algo “inevitável” ou “necessário em nome do povo”.

Capítulo 3 – O ciclo vicioso do endividamento estatal

Bruno Perini inicia este capítulo explicando que a dívida pública é a outra face da moeda inflacionária. Quando o Estado gasta mais do que arrecada, precisa buscar recursos adicionais. Isso acontece, em geral, de duas formas: aumentando impostos ou se endividando. Como aumentar impostos é impopular e gera resistência, a solução preferida dos governos tem sido recorrer a dívidas cada vez maiores.

O autor mostra que esse processo cria um ciclo vicioso. O governo emite títulos da dívida para captar dinheiro no mercado. Esses títulos oferecem juros, que precisam ser pagos no futuro com mais recursos públicos. Para honrar esses compromissos, o Estado precisa arrecadar mais impostos ou emitir ainda mais moeda, alimentando o risco de inflação. Assim, o que começa como uma solução de curto prazo transforma-se em um problema estrutural.

Perini ressalta que a expansão da dívida pública não atinge apenas os cofres do governo, mas impacta diretamente a vida dos cidadãos. Quanto maior a dívida, maior a necessidade de arrecadação futura, o que significa mais impostos e menos espaço para investimentos produtivos. A população, portanto, paga a conta em dobro: primeiro com a inflação, depois com a carga tributária.

Ele lembra que muitos países já entraram em colapso econômico justamente por não conseguirem controlar esse ciclo. A história está cheia de exemplos de governos que prometeram benefícios “em nome do povo”, financiados por dívida, mas acabaram deixando como legado recessão, desemprego e empobrecimento generalizado.

Outro ponto importante levantado é o alinhamento de interesses políticos. Governos, em geral, têm mandatos curtos e preferem adotar medidas que tragam benefícios imediatos, mesmo que insustentáveis no longo prazo. Dessa forma, os custos da dívida são empurrados para futuras administrações, criando um efeito bola de neve que se perpetua por gerações.

Perini também observa que a dívida pública excessiva reduz a liberdade econômica. Quando boa parte do orçamento está comprometida com o pagamento de juros, sobra menos para investimentos em áreas essenciais, como educação, saúde ou infraestrutura. Isso reforça a dependência da população e limita o potencial de crescimento de um país.

Por fim, o autor conclui que o endividamento estatal não é apenas uma questão contábil, mas um mecanismo de controle. Ele permite que governos financiem seus projetos sem o consentimento direto da população, mascarando os verdadeiros custos de suas escolhas. No entanto, como todo ciclo vicioso, chega um momento em que a conta precisa ser paga — e, inevitavelmente, quem paga é o povo.

Capítulo 4 – O populismo econômico

Bruno Perini abre este capítulo mostrando como o populismo econômico se tornou uma das ferramentas políticas mais usadas para conquistar e manter poder. Ele explica que, em sua essência, o populismo se apoia na promessa de soluções rápidas para problemas complexos, sempre em nome do “povo”, mas quase sempre com efeitos colaterais nocivos no médio e longo prazo.

O autor lembra que políticas populistas são atraentes porque oferecem benefícios imediatos: aumentos salariais forçados, subsídios, congelamento de preços, expansão de crédito fácil ou distribuição de auxílios sem contrapartida fiscal sólida. Essas medidas geram a sensação de prosperidade instantânea, mas escondem riscos enormes, que se manifestam mais tarde em forma de inflação, desajustes fiscais e crises econômicas.

Perini aponta que a lógica do populismo é sempre a mesma: o governo promete “proteger o povo” de vilões externos ou internos — sejam eles empresários, bancos, especuladores ou “elites” —, criando um discurso de confronto. Na prática, o Estado se fortalece, aumentando sua presença e sua dependência sobre a sociedade. O resultado é um ciclo em que o povo se torna cada vez mais refém das promessas e intervenções governamentais.

Ele ressalta que líderes populistas exploram principalmente a ignorância financeira da população. Como grande parte das pessoas não entende os mecanismos da economia, medidas populistas parecem justas ou até heroicas. Poucos percebem que o custo será pago mais adiante, geralmente pelos próprios cidadãos que, inicialmente, se beneficiaram.

O autor também traz exemplos históricos e contemporâneos:

  • Congelamentos de preços, que levam à escassez de produtos.
  • Impressão descontrolada de moeda, que destrói o poder de compra.
  • Programas sociais sem sustentabilidade fiscal, que geram déficits permanentes.

Essas políticas, segundo Perini, seguem o mesmo padrão: ganho político imediato e custo econômico duradouro.

Outro ponto relevante é a forma como o populismo mina a confiança nas instituições. Ao manipular a economia para ganhos políticos, governos criam instabilidade, afastam investimentos e tornam o ambiente econômico mais frágil. Isso afeta justamente aqueles que dizem proteger: o cidadão comum.

Em conclusão, Perini afirma que o populismo econômico é uma espécie de “veneno doce”: sedutor no início, mas destrutivo no longo prazo. Governos se aproveitam da boa-fé do povo para ampliar seu poder, sempre com a retórica de agir “em nome dele”. O resultado é um ciclo de dependência e empobrecimento, que só pode ser quebrado com educação financeira e consciência crítica.

Capítulo 5 – A elite e o acesso privilegiado ao dinheiro

Bruno Perini inicia este capítulo destacando uma realidade dura: a expansão da moeda e das políticas estatais não afeta a todos da mesma forma. Enquanto o cidadão comum sente diretamente o impacto da inflação e da perda de poder de compra, uma pequena elite se beneficia de estar próxima ao centro do poder, tendo acesso antecipado e privilegiado ao novo dinheiro que entra em circulação.

Ele explica o chamado Efeito Cantillon, conceito econômico que descreve como a emissão de moeda favorece os primeiros a recebê-la. Quando o governo imprime dinheiro ou expande o crédito, esse recurso chega primeiro a bancos, grandes empresas e setores estratégicos. Essas instituições podem gastar ou investir o dinheiro antes que os preços da economia reajam. Já o restante da população recebe esse dinheiro depois, quando os preços já estão mais altos — ou seja, os primeiros se beneficiam, e os últimos pagam a conta.

Perini ressalta que esse mecanismo aumenta desigualdades. Quem está mais próximo do poder concentra ainda mais riqueza, enquanto quem está distante perde capacidade de consumo e de poupança. Em outras palavras, a política monetária que é anunciada como “em nome do povo” acaba, na prática, privilegiando poucos.

Outro ponto levantado é que esse acesso privilegiado cria uma relação de dependência entre o Estado e a elite econômica. Bancos e grandes empresas se tornam parceiros preferenciais de políticas governamentais, recebendo incentivos, subsídios ou contratos bilionários. Isso distorce o funcionamento do mercado, favorece oligopólios e reduz a competição saudável.

Perini também observa que essa dinâmica gera uma percepção equivocada na sociedade. Muitos acreditam que os problemas vêm do “mercado livre”, quando, na realidade, o que existe é um mercado manipulado pelo Estado, no qual alguns players têm privilégios injustos. O resultado é a descrença na economia de mercado e o fortalecimento da ideia de que mais intervenção estatal é necessária — alimentando um círculo vicioso.

O autor reforça que entender esse processo é essencial para perceber por que a desigualdade muitas vezes cresce mesmo em países que alegam adotar políticas “sociais”. Na prática, a proximidade com o Estado vale mais do que mérito, trabalho ou inovação. O povo, enganado pelo discurso de que tais medidas são para protegê-lo, continua arcando com o custo da inflação e da concentração de riqueza.

Em conclusão, o capítulo mostra que o casamento entre Estado e moeda gera um sistema desigual, no qual os mais próximos do poder ganham vantagens sistemáticas, enquanto a maioria é deixada para trás. Essa distorção revela como, muitas vezes, decisões tomadas “em nome do povo” servem, na verdade, aos interesses de uma minoria privilegiada.

Capítulo 6 – A educação financeira como antídoto

Bruno Perini abre este capítulo defendendo que a ignorância financeira é um dos maiores aliados do Estado no controle da moeda e no avanço do populismo econômico. Ele explica que a maioria das pessoas não entende como funciona a inflação, a dívida pública ou a política monetária, e por isso se torna vulnerável a discursos políticos que mascaram a realidade.

O autor argumenta que a falta de educação financeira faz com que muitos aceitem passivamente o empobrecimento causado pelo Estado. Como a inflação não vem na forma de um imposto explícito, mas sim na alta gradual dos preços, poucos percebem o quanto estão perdendo ao longo dos anos. Assim, continuam acreditando que seus problemas decorrem apenas de “fatores externos” ou da “ganância do mercado”, sem enxergar o papel central do governo nesse processo.

Perini mostra que a educação financeira é a principal ferramenta para quebrar esse ciclo. Quando as pessoas entendem conceitos básicos de orçamento, poupança, juros compostos e investimentos, passam a enxergar claramente como o Estado manipula a moeda e como se proteger desse efeito. Isso reduz o espaço para o populismo, já que cidadãos informados não caem facilmente em promessas fáceis ou políticas insustentáveis.

Ele ressalta que a educação financeira não deve ser vista apenas como uma forma de enriquecer individualmente, mas como um instrumento de cidadania. Um povo instruído financeiramente é capaz de cobrar mais responsabilidade dos governantes, rejeitar políticas inflacionárias e valorizar a importância da disciplina fiscal.

Outro ponto discutido é que a educação financeira também muda a relação do indivíduo com o dinheiro. Em vez de viver apenas no curto prazo, consumindo imediatamente por medo da desvalorização, o cidadão passa a pensar no futuro, acumular patrimônio e conquistar mais liberdade. Esse comportamento reduz a dependência em relação ao Estado, fortalecendo a autonomia individual.

Perini observa, no entanto, que não é do interesse do Estado ampliar a educação financeira. Pelo contrário, governos preferem manter a população desinformada, pois cidadãos que entendem o funcionamento do dinheiro questionam mais e se tornam menos manipuláveis. Por isso, o aprendizado financeiro precisa ser buscado de forma independente, por meio de livros, cursos e experiências pessoais.

Em conclusão, o capítulo defende que a educação financeira é o verdadeiro antídoto contra a exploração disfarçada de políticas públicas. Quanto mais pessoas compreenderem como o Estado manipula a moeda, menos espaço haverá para discursos vazios “em nome do povo” e mais força terá a busca por liberdade e responsabilidade individual.

Capítulo 7 – A falsa promessa da estabilidade

Bruno Perini inicia este capítulo destacando uma contradição: os governos prometem estabilidade econômica como se fossem guardiões da ordem, mas, na prática, são os principais responsáveis pela instabilidade monetária. A promessa de estabilidade é usada como narrativa política, mas serve mais para justificar intervenções do que para proteger de fato o cidadão comum.

Ele explica que, sempre que a economia enfrenta crises ou turbulências, a resposta padrão do Estado é intervir — seja emitindo moeda, controlando preços, criando subsídios ou aumentando o endividamento público. Essas medidas geram alívio imediato e passam a sensação de que “o governo está no controle”. No entanto, como Perini mostra, os efeitos de médio e longo prazo são justamente o oposto: inflação, distorções de mercado e perda de confiança na moeda.

Um ponto forte do capítulo é a análise de como a promessa de estabilidade se torna um instrumento de manipulação política. Líderes se apresentam como indispensáveis, criando a ideia de que, sem eles, a economia entraria em colapso. Essa retórica reforça a dependência do povo em relação ao Estado, reduzindo o incentivo para que os cidadãos busquem alternativas mais sustentáveis, como educação financeira e investimentos sólidos.

Perini traz exemplos históricos em que governos usaram a retórica da estabilidade para justificar políticas ruins:

  • Congelamento de preços no Brasil, durante a década de 1980, que gerou escassez e mercado paralelo.
  • Pacotes de estímulos artificiais em diferentes países, que criaram bolhas de crédito seguidas de crises.
  • Moedas nacionais que foram desvalorizadas em nome da “proteção da economia”, mas que acabaram destruindo o poder de compra da população.

O autor reforça que essa promessa de estabilidade é falsa, porque ignora o fato de que a economia é dinâmica e naturalmente sujeita a ciclos. Nenhum governo pode eliminar completamente crises ou oscilações. O que pode ser feito, no entanto, é criar condições para que a sociedade se adapte melhor e com menos traumas.

Outro ponto levantado é que a verdadeira estabilidade vem de fundamentos sólidos — responsabilidade fiscal, moeda forte, respeito à propriedade privada e incentivo à poupança. Quando esses pilares são abandonados em troca de medidas populistas, o resultado é sempre o mesmo: instabilidade crônica.

Em conclusão, o capítulo ensina que a promessa estatal de estabilidade é uma ilusão conveniente. Ela acalma temporariamente o povo, mas esconde os custos futuros que recaem sobre todos. A verdadeira segurança não está nas mãos do governo, mas na capacidade de cada indivíduo de se proteger contra manipulações e construir sua própria autonomia financeira.

Capítulo 8 – O futuro da moeda e o despertar do povo

Bruno Perini abre este capítulo refletindo sobre como o sistema monetário atual está chegando a um ponto de esgotamento. A dependência crescente de políticas inflacionárias, endividamento estatal e populismo econômico cria um cenário em que a confiança na moeda tradicional está cada vez mais abalada. Segundo o autor, essa perda de confiança pode abrir espaço para transformações profundas na forma como entendemos e utilizamos o dinheiro.

Ele aponta que estamos vivendo um período de transição. De um lado, governos continuam tentando reforçar o modelo atual, com emissão de moeda, juros manipulados e políticas de intervenção. De outro, cresce a busca por alternativas fora do controle estatal, como ativos internacionais, investimentos em ativos reais e, principalmente, criptomoedas.

Perini destaca o papel do Bitcoin como um marco nesse processo. Diferente das moedas fiduciárias, que podem ser emitidas ilimitadamente por governos, o Bitcoin possui oferta limitada, o que o torna resistente à inflação arbitrária. Além disso, sua natureza descentralizada impede que uma autoridade central controle totalmente seu funcionamento. Para o autor, esse é um exemplo claro de como a tecnologia pode oferecer uma saída para o monopólio estatal sobre a moeda.

O autor também ressalta que o crescimento desse movimento não é apenas financeiro, mas cultural e político. Quanto mais pessoas entendem o mecanismo de manipulação do dinheiro, mais passam a questionar o sistema tradicional. Esse despertar do povo é lento, mas inevitável. Pessoas instruídas financeiramente deixam de aceitar narrativas fáceis e começam a buscar independência do Estado.

Outro ponto importante é que, segundo Perini, o futuro da moeda será marcado por pluralidade. Não haverá uma única forma de dinheiro, mas várias opções convivendo ao mesmo tempo: moedas nacionais, moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDCs), criptomoedas descentralizadas e até ativos físicos utilizados como reserva de valor. Essa diversidade tende a enfraquecer o monopólio estatal e devolver ao indivíduo mais poder de escolha.

No entanto, o autor também alerta para os desafios desse futuro. Governos não abrirão mão facilmente do controle da moeda. Ao contrário, buscarão regular, restringir e até combater alternativas que ameacem sua hegemonia. Por isso, o caminho para uma maior liberdade financeira será marcado por conflitos políticos e disputas de poder.

Em conclusão, o capítulo reforça que o futuro da moeda dependerá do grau de consciência do povo. Se continuarmos aceitando cegamente a manipulação estatal, a tendência é perpetuar o ciclo de inflação e endividamento. Mas, se cada vez mais pessoas despertarem para a importância da autonomia financeira e para as alternativas já disponíveis, será possível construir um sistema monetário mais justo, resiliente e favorável ao cidadão comum.

Conclusão Geral

Bruno Perini encerra Em Nome do Povo reforçando a tese central que permeia toda a obra: o casamento entre Estado e moeda é um dos principais mecanismos de controle social e empobrecimento da população. O livro mostra que a manipulação do dinheiro não é um erro pontual ou um detalhe técnico da economia, mas uma estratégia histórica de concentração de poder.

Ao longo dos capítulos, Perini deixou claro que:

  • O controle da moeda é poder político. Desde os impérios antigos até os governos modernos, manipular o valor do dinheiro foi uma forma de sustentar regimes e transferir riqueza do povo para os que estão mais próximos do poder.
  • A inflação funciona como um imposto invisível. Ela atinge especialmente os mais pobres, reduzindo seu poder de compra enquanto beneficia elites com acesso antecipado ao novo dinheiro.
  • O endividamento estatal cria dependência. Governos financiam promessas de curto prazo à custa das gerações futuras, empurrando a conta para a sociedade.
  • O populismo econômico seduz, mas destrói. Congelamentos, subsídios e crédito artificial parecem proteger o povo, mas criam distorções e crises ainda maiores.
  • A elite se beneficia do privilégio. O Efeito Cantillon mostra que quem está mais próximo da máquina estatal lucra, enquanto o cidadão comum paga a conta.
  • A educação financeira é libertadora. Só um povo instruído pode enxergar os mecanismos de manipulação e se proteger deles.
  • A promessa de estabilidade estatal é ilusória. Governos usam o discurso da ordem para justificar intervenções que geram ainda mais instabilidade.
  • O futuro da moeda será plural. Alternativas como criptomoedas e ativos descentralizados oferecem a chance de quebrar o monopólio estatal e devolver liberdade ao indivíduo.

Perini conclui que a luta não é apenas econômica, mas cultural e política. Enquanto a maioria continuar acreditando em promessas fáceis “em nome do povo”, o ciclo de inflação, dívida e dependência se repetirá. Mas, à medida que mais pessoas despertam para a importância de compreender o dinheiro e assumir responsabilidade sobre suas finanças, cresce a possibilidade de um futuro mais justo.Em última análise, Em Nome do Povo é um alerta: ou entendemos como o Estado manipula a moeda, ou seremos sempre reféns de suas consequências. A escolha está em nossas mãos — buscar conhecimento, fortalecer a autonomia financeira e não aceitar narrativas que, sob a bandeira do povo, servem apenas aos interesses de poucos.