Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de setembro de 2025
Cenário atual: Selic em 15% e impactos nos financiamentos
A Selic foi mantida em 15% ao ano pelo Copom, justificada pela resistência da inflação, atividade econômica firme e mercado de trabalho aquecido. Com juros nesse nível, os financiamentos imobiliários ficam muito mais caros — parcelas elevadas, custo total significativo e restrições na oferta de crédito. O cenário gera o dilema para quem precisa comprar: financiar agora, mesmo com custo elevado; ou esperar uma possível queda de juros em 2026.
Comparativo de custos em diferentes taxas de mercado
Para ilustrar o peso dos juros altos, é usada uma simulação de financiamento de imóvel de R$ 500.000, com entrada de 20% e saldo devedor de R$ 400.000, prazo de 360 meses (30 anos), pelo Sistema de Amortização Constante (SAC). Os três cenários simulados e seus custos principais:
| Cenário | Juros anual aprox. | Primeira parcela mensal aprox. | Custo Total aproximado (entrada + principal + juros) |
| Menor taxa do mercado (~ 7,64% ao ano) | 7,64% | ~ R$ 3.595 | ~ R$ 949.000 |
| Taxa média de mercado (~ 10,24%) | 10,24% | ~ R$ 4.391 | ~ R$ 1.090.000 |
| Maior taxa (~ 12,44%) | 12,44% | ~ R$ 5.031 | ~ R$ 1.207.000 |
A diferença entre o cenário mais favorável e o mais caro é de R$ 251.000 no custo total, o que representa um impacto econômico grande para quem financia.
Estratégias recomendadas com base no perfil e urgência
- Para quem não tem pressa ou pode esperar, aplicar o valor da entrada em ativos de renda fixa até que os juros caiam pode fazer diferença, aproveitando os ganhos desses investimentos para reduzir a dependência de crédito.
- Quem precisa do imóvel imediatamente pode avaliar fechar negócio com juros altos, mas buscando negociar condições melhores (como menor taxa, porta portabilidade ou buscar instituições com ofertas mais competitivas).
- Negociar com incorporadoras pode ser vantajoso em mercados com muitos lançamentos, pois há chance de desconto ou condições mais atrativas quando ofertantes estão mais pressionados ou competitivos.
Riscos e trade-offs de financiar agora
- A taxa de juros alta eleva bastante as parcelas mensais, tornando o comprometimento financeiro elevado.
- Mesmo com entrada considerável, o custo de juros pode ultrapassar o valor do imóvel em si em muitos casos.
- Se a Selic não cair tão rápido ou em magnitude menor do que estimado, o benefício de esperar será reduzido — o comprador que esperar pode ver o imóvel ou o tipo de imóvel desejado já pouco disponível ou mais caro.
- Custos extras como taxas de avaliação, registro, seguro e impostos também pesam no custo efetivo total.
Quando esperar pode sair caro também
- Preços de imóveis tendem a subir quando os juros caem, pois a demanda aumenta — isso pode significar que esperar implique pagar mais caro pelo imóvel no futuro.
- O atraso também pode implicar em perda de aluguel ou custos de morar de aluguel por mais tempo.
- Em alguns mercados regionais ou cidades onde há pressão de valorização imobiliária forte, a diferença de preço pode compensar parte dos juros pagos hoje.
Fechamento explicativo:
A decisão entre financiar agora ou esperar a Selic cair depende muito do momento de vida e urgência de cada pessoa. Se tiver possibilidade, aguardar pode gerar economia substancial. Mas se a necessidade é imediata, negociar bem e escolher a melhor taxa possível pode fazer o financiamento valer. Em todos os casos, o ideal é simular, considerar não só as taxas, mas também os custos adicionais e o que se espera do mercado imobiliário em 2026.
Fontes:
- InfoMoney – (infomoney.com.br)

