Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data de publicação: 29/09/2025
A 3tentos, empresa do agronegócio com atuação verticalizada nos estados do Mato Grosso e Rio Grande do Sul, na última conversa com a imprensa revelou o ambiente de pressão que o setor enfrenta: crédito rural oficial insuficiente, eventos climáticos extremos e juros elevados que corroem as margens. O CEO João Marcelo Dumoncel foi o entrevistado no podcast “Raiz do Negócio” e detalhou como a empresa está gerindo esses desafios e buscando alternativas para manter a sustentabilidade.
Ele começou lembrando que, apesar da importância vital do crédito rural para o agronegócio, o volume disponibilizado no Plano Safra ainda é limitado frente à demanda dos produtores. Na comparação regional, o retorno por real investido varia bastante: no Mato Grosso, por exemplo, para cada R$ 1 de crédito rural oficial são gerados até R$ 7 em valor bruto de produção. Já no Rio Grande do Sul, esse retorno é de cerca de R$ 2, segundo estudo citado por Otaciano Neto, CEO da Zera.Ag, colaborador desse podcast. Essa discrepância ajuda a entender por que muitos produtores sulistas vêm sofrendo mais com secas e enchentes, que afetam produtividade, renda e capacidade de honrar compromissos financeiros.
No Rio Grande do Sul, Dumoncel observou que anos consecutivos de intempéries — secas seguidas de enchentes — têm levado a graves quebras de safra, penalizando produtores que não conseguiram acumular reservas. A 3tentos, por sua vez, tenta compensar essas adversidades com gestão rigorosa e diversificação regional, mas admite que seu modelo também sofre com o contexto climático adverso. Já no Mato Grosso, as safras continuam mais robustas, mas ainda assim a alta da Selic empurra os custos de capital para cima, enquanto os preços das commodities enfrentam pressão de oferta global.
Para tentar superar esse cenário, a 3tentos atua sobre duas frentes de financiamento ao produtor. A primeira é a modalidade barter, em que insumos são fornecidos em troca de entrega futura de grãos ou derivados, gerando liquidez ao agricultor sem exigir desembolso inicial. Segundo Dumoncel, essa é uma ferramenta “fantástica” de fluxo reverso que fortalece a lavoura, pois muitos produtores dependem desse tipo de crédito no período crítico de plantio. A segunda frente é a TentosCap, iniciativa que conecta o mercado de capitais ao produtor rural: por meio dessa operação, a 3tentos estreita o acesso de agricultores a recursos de mercado, cobrindo lacunas deixadas pelo crédito rural tradicional.
Além disso, a empresa aposta em inovação e autossuficiência para mitigar riscos. Um dos projetos estruturantes é o plantio florestal integrado com produção de biomassa, destinado a sustentar parte da demanda da indústria de etanol de milho. Com esse arranjo, a companhia reduz sua dependência externa de insumos energéticos e de insumos florestais, promovendo sinergia entre produção agrícola e energética.
Dumoncel reafirmou que esse tipo de estratégia exige investimento de longo prazo e disciplina operacional. Ele destacou que muitos produtores sustentam margens apertadas e que, sem uma cultura de produtividade e controle de custos, qualquer choque climático ou elevação de juros pode comprometer gravemente a viabilidade dos empreendimentos rurais.
O panorama que ele traçou é claro: o agronegócio entra em um ciclo mais exigente, onde quem não tiver solidez operacional, plano de financiamento diversificado e resiliência ao clima corre risco de desequilíbrio. Para a 3tentos, o caminho é seguir atuando como elo de fomento e apoio ao produtor, mas sempre com visão estratégica, equilíbrio financeiro e adaptação constante.
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