Governo central registra déficit de R$ 15,564 bilhões em agosto e reacende debate fiscal

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data de publicação: 29/09/2025


As contas do governo central fecharam agosto com déficit primário de R$ 15,564 bilhões, conforme dados do Tesouro Nacional. O resultado sucede o saldo negativo de R$ 59,124 bilhões em julho e, apesar de ainda no vermelho, foi o melhor desempenho para um mês de agosto desde 2021 na série iniciada em 1997. Em agosto de 2024, o déficit havia sido de R$ 22,162 bilhões em valores nominais, mostrando melhora na comparação interanual.

O número de agosto veio melhor que o esperado pelo mercado: a mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast apontava déficit de R$ 20,250 bilhões, com intervalo que ia de R$ 33,600 bilhões a R$ 14,600 bilhões (todas as projeções negativas). No acumulado do ano até agosto, o governo central soma déficit de R$ 86,068 bilhões, desempenho que também representa avanço frente ao mesmo período do ano passado, quando o saldo estava negativo em R$ 98,402 bilhões.

Pelo lado da arrecadação, as receitas totais cresceram 7,1% em termos reais na comparação de agosto contra agosto do ano anterior, e 3,9% no acumulado do ano. As despesas também aumentaram, mas em ritmo menor: +5,3% em agosto (em termos reais, contra o mesmo mês de 2024) e +2,4% no acumulado de 2025. Em 12 meses até agosto, o governo central registra déficit de R$ 26,6 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB.

Desde o início de 2024, o Tesouro passou a evidenciar a relação entre gastos e PIB, alinhado ao novo arcabouço fiscal. Nos últimos 12 meses, as despesas obrigatórias atingiram 17,29% do PIB, enquanto as discricionárias do Executivo somaram 1,41% do PIB. Para 2025, a meta oficial é resultado primário neutro (0% do PIB), com banda de ±0,25 ponto percentual, o que implica limite de déficit de até R$ 31 bilhões. O teto de despesas de 2025 foi fixado em R$ 2,249 trilhões.

Os números de agosto ajudam a reduzir a distância até a meta, mas mantêm aceso o debate sobre a trajetória fiscal: a melhora de receita precisa se sustentar, enquanto o gasto — majoritariamente obrigatório — segue pressionado. A leitura no mercado é que a credibilidade do ajuste dependerá da qualidade das medidas de aumento de receita, da execução do arcabouço e da disciplina nas despesas, fatores que influenciam percepção de risco, prêmio de juros e apetite por títulos públicos.


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