Publicado por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 30/09/2025
Desvalorização da moeda e reação imediata do governo
O peso argentino voltou a registrar forte desvalorização nesta terça-feira (30), acumulando perdas expressivas em dois pregões consecutivos. Durante o dia, a moeda chegou a cair mais de 6%, encerrando com baixa de 1,4%, cotada a 1.380 pesos por dólar.
A queda levou o governo de Javier Milei a intervir novamente no mercado, realizando vendas de dólares no mercado à vista para tentar conter a disparada cambial.
Contexto recente e tentativas de estabilização
A nova onda de instabilidade acontece poucos dias depois do anúncio de um pacote de estímulos dos Estados Unidos, de cerca de US$ 20 bilhões, que havia trazido algum alívio temporário para os ativos argentinos. Além disso, o próprio governo reduziu impostos sobre exportações em uma tentativa de fortalecer as contas externas.
Apesar dessas medidas, a moeda argentina não resistiu às pressões estruturais e à forte demanda por dólares no mercado interno.
Fragilidades e riscos estruturais
Analistas destacam que a desvalorização expõe problemas antigos da economia argentina, como:
- Déficit fiscal elevado, que gera desconfiança nos investidores;
- Risco-país em patamar alto, afastando fluxos de capital;
- Dependência de dólares para honrar compromissos externos;
- Baixa confiança política e institucional, que intensifica a corrida por proteção cambial.
O resultado é a ampliação do spread cambial, ou seja, a diferença entre o câmbio oficial e o paralelo, que alcançou níveis não vistos desde abril.
Impacto nos mercados e nos títulos argentinos
A pressão não ficou restrita à moeda. Títulos argentinos denominados em dólar também sofreram: os papéis com vencimento em 2035 recuaram cerca de 1,8 centavo, ficando entre os piores desempenhos de mercados emergentes no dia.
Essa deterioração reforça a percepção de que o país terá mais dificuldades para captar recursos no exterior e que o custo de financiamento pode se elevar ainda mais.
Próximos passos e incertezas
O mercado agora observa quais serão os próximos movimentos do governo Milei. Entre as possibilidades estão:
- Novos leilões de dólares para conter a volatilidade;
- Medidas adicionais de ajuste fiscal;
- Controles cambiais mais rígidos, para tentar frear a demanda por moeda estrangeira.
No médio prazo, no entanto, especialistas avaliam que apenas reformas estruturais e maior credibilidade política poderão trazer estabilidade duradoura para a moeda argentina.
Fonte: InfoMoney

