Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 01/10/2025
As ações da Oi (OIBR3) sofreram uma forte queda nesta quarta-feira, chegando a recuar mais de 24% durante o pregão e encerrando o dia negociadas a R$ 0,40. O movimento foi uma reação imediata do mercado à decisão da Justiça do Rio de Janeiro, que determinou o afastamento de toda a diretoria e do conselho de administração da companhia, além da substituição da consultoria Íntegra, responsável até então por conduzir a estratégia de recuperação da operadora.
A decisão foi tomada pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara de Recuperações e Falências, que classificou a situação da empresa como “pré-falimentar”. Segundo a magistrada, as medidas visam evitar riscos à continuidade dos serviços de telecomunicações, considerados de interesse público e estratégico, especialmente porque a Oi é responsável por parte importante da infraestrutura de conectividade no Brasil, incluindo cerca de 70% das operações do Cindacta, sistema integrado de defesa aérea e controle do tráfego aéreo.
No despacho, a juíza destacou preocupações com a gestão da companhia, citando suspeitas de esvaziamento patrimonial, divergências em relação ao número de imóveis disponíveis para venda, inconsistências nos valores bloqueados em caixa e elevados custos administrativos. Para viabilizar uma transição organizada, foi estabelecido um prazo de 30 dias em que as cobranças de dívidas sujeitas à recuperação judicial ficam suspensas. Nesse período, caberá à nova administração judicial, em conjunto com os credores, avaliar se a Oi seguirá no processo de reestruturação ou se terá início um processo formal de falência.
A decisão também representa um duro golpe na governança da empresa, que já enfrentava seu segundo processo de recuperação judicial e vinha apresentando dificuldades para cumprir o plano de reestruturação. A saída da atual gestão e a abertura para uma possível liquidação aumentaram a percepção de risco entre investidores, provocando a queda acentuada dos papéis na B3.
O episódio reforça a gravidade da situação da operadora, que há anos busca alternativas para reduzir seu endividamento bilionário e manter as operações essenciais. A partir de agora, a sobrevivência da Oi dependerá da capacidade da nova administração de restabelecer a confiança dos credores e preservar a continuidade dos serviços, ao mesmo tempo em que se discute a viabilidade de sua permanência no mercado ou a necessidade de liquidação definitiva.
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