Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 02/10/2025

As emissões de debêntures incentivadas dispararam em setembro e alcançaram o volume de R$ 19,7 bilhões, o que representa um crescimento de 114% em comparação com os R$ 9,2 bilhões registrados no mês anterior. Esses títulos, que contam com isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, ganharam força em um momento de grande incerteza sobre o futuro da tributação no país. A discussão no Congresso sobre a Medida Provisória 1.303/25, que em sua versão inicial previa o fim da isenção, tem provocado um movimento de antecipação por parte de empresas e investidores. O parecer do relator Carlos Zarattini (PT-SP), no entanto, manteve os benefícios tributários tanto para debêntures de infraestrutura quanto para CRIs e CRAs, o que reduziu parte da apreensão do mercado, mas não afastou a cautela.
No campo das operações, setembro trouxe movimentações relevantes. A concessão Noroeste Paulista contou com forte participação do BNDES, enquanto companhias como Rede D’Or, Aegea e Energisa também recorreram a esse tipo de emissão. A Rede D’Or levantou R$ 2,74 bilhões, a Aegea captou R$ 2,78 bilhões, e a Energisa somou R$ 3,65 bilhões. A operação ligada à concessão Noroeste Paulista chegou a R$ 3,9 bilhões, reforçando o peso das debêntures incentivadas no mercado.
As debêntures tradicionais, sem o benefício da isenção fiscal, também apresentaram avanço no período. O volume total emitido nesse segmento foi de R$ 47,5 bilhões, o que corresponde a uma alta de 33% em relação a agosto. A combinação do apetite dos investidores com a demanda das empresas por captação de recursos resultou em um mercado bastante aquecido no mês.
O aumento expressivo das emissões impactou diretamente os spreads de crédito. Nos papéis de infraestrutura considerados de maior qualidade, com classificação AAA, os spreads médios recuaram para níveis historicamente baixos, chegando a -60 pontos-base em relação às NTN-B, referência do Tesouro. Já nas emissões atreladas ao CDI, o movimento foi mais discreto, mas houve influência pontual após a operação da Cosan, que ocorreu logo após o anúncio de um aumento de capital.
O crescimento registrado em setembro demonstra a busca dos investidores por alternativas de renda fixa que ofereçam segurança e, ao mesmo tempo, benefícios tributários. A incerteza em torno da continuidade da isenção a partir de 2026 tem levado o mercado a se antecipar, aproveitando as regras atuais. Enquanto não há uma definição clara sobre a reforma tributária, a tendência é que novas captações sigam aquecendo o mercado de debêntures incentivadas nos próximos meses.
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