Publicado por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 03/10/2025

Impacto social revelado pelo Atlas dos Pequenos Negócios
Um estudo recente conduzido pelo Sebrae, por meio da segunda edição do seu Atlas dos Pequenos Negócios, mostra dados impressionantes: cerca de 97 milhões de brasileiros, ou 45% da população, dependem direta ou indiretamente da renda gerada por microempreendedores individuais (MEIs) e micro e pequenas empresas (MPEs). Esse número inclui não apenas os donos dos empreendimentos, mas também empregados, familiares e outras pessoas que têm no negócio uma importante fonte de subsistência.
Dentro desse universo, 43,7 milhões de pessoas têm nos pequenos negócios sua única fonte de renda — seja por serem empreendedores ou por estarem diretamente vinculados ao faturamento desses negócios. Essa realidade destaca o peso estruturante do setor na subsistência de grande parcela da sociedade brasileira.
Estrutura do setor e desafios
O estudo também mostra que o total de renda anual gerada por MEIs e MPEs atingiu a marca de R$ 717 bilhões em 2024. Desse montante, os MEIs foram responsáveis por R$ 224 bilhões, enquanto as micro e pequenas empresas responderam por aproximadamente R$ 492 bilhões.
Em termos de média, a renda familiar mensal nos MEIs ativos estava em cerca de R$ 5.542, enquanto nos negócios de micro e pequeno porte a renda média familiar era de R$ 13.422.
Essa diferença evidencia a heterogeneidade do setor: embora ambos façam parte do mesmo universo de “pequenos negócios”, o grau de escala, recursos, formalização e impacto social pode variar significativamente entre um MEI e uma empresa de pequeno porte com funcionários.
Importância econômica e social
Os pequenos negócios exercem um papel central na economia brasileira, não apenas por gerar renda para tantos brasileiros, mas também por estimular a atividade local, gerar empregos e dinamizar cadeias produtivas em municípios de pequeno porte e regiões mais remotas.
Além disso, o setor é uma importante alavanca de inclusão social: muitos empreendedores são migrantes, mulheres, pessoas em regiões menos favorecidas, que veem no pequeno negócio uma alternativa para driblar o desemprego e criar autonomia econômica.
Em anos recentes, o impacto foi percebido também em termos de redução de pobreza: entre 2022 e 2024, parte da melhora nos indicadores sociais do país foi atribuída à expansão dos pequenos negócios e ao emprego formal gerado por esses empreendimentos.
Principais entraves para expansão sustentável
Apesar da relevância e das oportunidades, os pequenos negócios enfrentam obstáculos persistentes que dificultam seu crescimento:
- Acesso a capital: crédito formal ainda é caro e restrito para muitos MEIs e MPEs, especialmente em regiões interioranas.
- Carga tributária e burocracia: estruturas fiscais complexas e custos regulatórios elevam o peso operacional.
- Mortalidade empresarial alta: muitos negócios fecham nos primeiros anos de atividade; fatores como falta de capacitação em gestão, fraca projeção de fluxo de caixa e dificuldades de adaptação contribuem para isso.
- Desigualdade regional e de infraestrutura: regiões com menor acesso a recursos, logística deficiente ou menor densidade de rede de serviços têm mais dificuldade para que pequenos negócios prosperem.
- Inovação e digitalização insuficientes: muitos empreendedores ainda trabalham com processos manuais, sem uso pleno de tecnologia ou presença digital, o que limita competitividade e escala.
Caminhos para fortalecer o setor
Para que os pequenos negócios continuem sendo um pilar de sustentação social e econômica, algumas ações são consideradas prioritárias:
- Reformas que agilizem a formalização, reduzam obrigações burocráticas e ajustem limites de faturamento do MEI
- Linhas de crédito mais acessíveis e programas de garantias que reduzam risco para instituições financeiras
- Programas de capacitação em gestão, marketing digital, inovação, planejamento financeiro
- Incentivos à tecnologia e à transformação digital, para que pequenos empreendedores usem ferramentas modernas
- Políticas públicas que articulem ambiente local favorável: infraestrutura, logística, redes de apoio institucional
Conclusão
Os dados do Atlas dos Pequenos Negócios reforçam uma verdade contundente: o Brasil não é movido apenas por grandes corporações, mas por milhões de pequenos empreendedores — pessoas comuns que, dia após dia, transformam ideias simples em sustento para suas famílias e comunidades.
Quando quase metade da população depende direta ou indiretamente desses negócios, investir em melhorar as condições para seu crescimento é também investir na estabilidade social e no desenvolvimento regional.
Fonte: Atlas dos Pequenos Negócios / Sebrae / Infomoney
