Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 06/10/2025

É possível traçar uma estratégia para que um trabalhador que só comece a contribuir para o INSS depois dos 45 anos alcance aposentadoria no valor de R$ 5 mil, desde que cumpra condições rigorosas. A advogada previdenciária Camila Pellegrino, do escritório Pellegrino & Galleti, afirma que o caminho existe — mas exige observância exata de regras como contribuir sobre o teto do INSS, utilizar o código correto de contribuição e manter 15 anos de pagamento.
Contribuir sobre o teto significa pagar 20% sob o valor máximo de remuneração considerado pelo INSS (teto atual: R$ 8.157,41), resultando num aporte mensal de R$ 1.631,48. Já o código de contribuição para autônomos que permite esse tipo de estratégia é o 1406. Esses elementos são essenciais para que o benefício futuro seja elevado.
A exigência de 15 anos de contribuição é uma regra geral para aposentadoria no INSS e permanece válida. Somado a isso, entram as idades mínimas: 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. Isso significa que quem iniciar contribuições aos 47 anos (no caso delas) ou 50 anos (no caso deles) ainda poderia cumprir o tempo mínimo necessário, desde que não haja interrupções.
Para quem já foi empregado sob regime CLT, a média de salário de contribuição tende a acompanhar a trajetória salarial da carreira. Nesse cenário, é possível usar parte dessa média como base para o benefício. Se essa média já for elevada, pode bastar complementar contribuições em meses específicos — como pagar 20% sobre o teto — para elevar a média e aumentar o valor do benefício.
Contudo, para muitos trabalhadores, a trajetória não foi linear. Quem tem histórico de atividades com rendimentos variáveis — períodos de emprego, desemprego ou migração entre emprego formal e informal — precisa cautela extra. É vital monitorar os registros de contribuição e garantir que eventuais lacunas ou quedas não prejudiquem o cálculo final.
Outra estratégia é usar contribuições adicionais como autônomo para “completar” o que a empresa deixou de pagar. Se o empregador contribuiu apenas uma parte do valor, o segurado pode, como autônomo, pagar a diferença até o valor do teto para que seu benefício seja puxado para cima.
Camila Pellegrino alerta que essas decisões exigem planejamento cuidadoso e conhecimento técnico. Por isso, aconselha buscar advogados previdenciários ou especialistas para avaliar o histórico contributivo, projetar cenários e calcular qual o caminho menos arriscado.
Mas há riscos: o INSS já enfrenta déficit significativo. A previsão do governo é que, em 2026, os gastos com a Previdência ultrapassem R$ 1 trilhão, impulsionados pelo envelhecimento da população e pela informalidade elevada. O economista Fábio Giambiagi, da FGV/IBRE, alerta que embora a Previdência esteja deficitária, o modelo público oferece renda vitalícia, algo que planos privados não garantem.
Para reduzir exposição à incerteza, muitos especialistas sugerem adotar uma estratégia híbrida: aliar contribuição ao INSS com poupança, investimentos e previdência privada. Isso ajuda a proteger o futuro mesmo se regras forem alteradas. Pellegrino indica que previdências vinculadas a categorias ou sindicatos geralmente cobram taxas mais baixas, sendo opções interessantes.
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