Como identificar ações baratas: Max Bohm revela os três múltiplos que mais usa nas análises

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 06/10/2025

Identificar ações baratas no mercado de capitais não é tarefa simples, mas há métricas que ajudam a filtrar boas oportunidades. O analista Max Bohm, especialista em análise fundamentalista, explica que costuma se apoiar em três múltiplos principais para descobrir empresas negociadas abaixo do seu valor justo: Preço/Lucro (P/L), EV/EBITDA e Preço/Valor Patrimonial (P/VPA). Segundo ele, esses indicadores formam a base de qualquer avaliação de valor e ajudam a entender se o mercado está precificando um ativo de forma exageradamente pessimista.

Bohm afirma que o primeiro passo para quem quer identificar uma ação barata é entender o conceito por trás do múltiplo P/L, que mostra quanto o investidor paga pelo lucro gerado pela empresa. Em linhas simples, quanto menor o P/L, mais barata está a ação em relação ao lucro que entrega. Ele ressalta, no entanto, que o indicador só faz sentido quando comparado com outras companhias do mesmo setor ou com o histórico da própria empresa, já que segmentos diferentes possuem margens e dinâmicas de resultado distintas.

O segundo múltiplo usado por Bohm é o EV/EBITDA, sigla que relaciona o valor da empresa — incluindo dívida líquida e capital de mercado — com o resultado operacional medido antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Esse indicador é considerado um dos mais completos por refletir a capacidade real de geração de caixa da empresa, sem distorções contábeis. Ele permite identificar companhias operando com descontos em relação à média do mercado e ajuda a comparar o potencial de geração de valor entre diferentes negócios.

O terceiro múltiplo preferido do analista é o P/VPA, que mede a relação entre o preço da ação e o valor patrimonial líquido da empresa. Ele observa que essa métrica é especialmente útil para instituições financeiras, seguradoras e companhias intensivas em capital. Quando o índice está abaixo de 1, em geral indica que o mercado está atribuindo valor inferior ao patrimônio líquido da empresa — um sinal de que a ação pode estar subavaliada. Ainda assim, Bohm reforça que a análise precisa considerar a qualidade dos ativos e a capacidade de rentabilizá-los, evitando armadilhas em companhias com balanços fracos.

Esses múltiplos, segundo Bohm, são usados de forma complementar. Ele destaca que não existe um número mágico isolado capaz de definir se uma ação está barata ou cara, mas a combinação deles, quando interpretada à luz dos fundamentos, ajuda a encontrar boas oportunidades. Em muitos casos, as empresas mais atraentes são aquelas que apresentam múltiplos baixos e fundamentos sólidos, com lucros consistentes, endividamento controlado e boa perspectiva de crescimento.

O analista também chama atenção para o contexto do mercado brasileiro, que, segundo ele, mostra atualmente indícios de estar descontado. Historicamente, o P/L médio do Ibovespa gira em torno de 10,5 vezes, enquanto hoje o indicador está em cerca de 8 vezes — um patamar que sugere que a Bolsa brasileira negocia abaixo do seu valor histórico. Para investidores de longo prazo, isso pode representar um ponto de entrada interessante, desde que as empresas escolhidas tenham fundamentos consistentes e sejam capazes de atravessar períodos de volatilidade.

Bohm observa ainda que, em momentos de instabilidade macroeconômica ou de juros elevados, múltiplos mais baixos tendem a surgir com frequência, o que exige discernimento. O fato de uma ação parecer barata nos números não significa necessariamente que ela ofereça boa margem de segurança. É preciso investigar se o mercado está precificando riscos reais, como queda de rentabilidade, gestão ineficiente ou mudança estrutural no setor.

Outro aspecto importante, segundo ele, é analisar os múltiplos ao longo do tempo. Uma empresa que sempre negociou com P/L menor do que a média do setor pode estar corretamente avaliada pelo mercado, enquanto outra que sofreu queda repentina nesse indicador pode esconder uma oportunidade. Essa leitura histórica ajuda a distinguir o que é “barato” de fato e o que é “barato por um bom motivo”.

Por fim, Bohm reforça que o uso dos múltiplos deve ser parte de um processo mais amplo de análise, que envolva avaliação de balanços, estudo de fluxos de caixa e monitoramento de notícias corporativas. Segundo ele, a paciência é uma das principais virtudes do investidor de valor: “As melhores oportunidades aparecem quando o mercado está olhando para outro lado. É nesse momento que quem tem método encontra ações de qualidade a preços atrativos.”


Fontes: