BR Partners aposta em consultoria de dívida para crescer em meio à desaceleração de fusões e aquisições

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 07/10/2025

Com o mercado de fusões e aquisições em um momento mais retraído, a boutique brasileira BR Partners está direcionando esforços para fortalecer seu braço de consultoria em reestruturação de dívidas no Brasil, buscando novas fontes de receita com menor dependência de transações de compra e venda.

Ricardo Lacerda, CEO da BR Advisory Partners Participações (BRBI11), explica que cerca de 25% das grandes empresas brasileiras enfrentam níveis elevados de endividamento, tendo tomado empréstimos pesados para financiar projetos ou aquisições em períodos de juros baixos — onde muitas apostas não se concretizaram, e agora com a alta das taxas o peso das dívidas se tornou insustentável.

Entre clientes que já buscaram esse serviço com a BR Partners está a Ambipar Participações e Empreendimentos S.A., empresa do segmento de resíduos, que contratou a consultoria para auxiliar na reestruturação de obrigações financeiras. Outro caso em atendimento é o da Invepar (Investimentos e Participações em Infraestrutura S.A.), que negocia com credores ajustes de dívidas.

A BR Partners também já atuou em operações deste tipo com a CVC Brasil Operadora, a rede Marisa Lojas e até o Santos Futebol Clube, provendo assessoria para reestruturações e renegociações de passivos. Lacerda comenta que “algumas empresas precisarão reduzir alavancagem, outras, reestruturar dívidas”, e ele espera que essa dinâmica permaneça nos meses seguintes.

Para respaldar essa estratégia, a BR Partners pretende expandir seu portfólio de gestão de patrimônio, buscando receitas mais estáveis e diversificadas. A empresa já possui cerca de R$ 7 bilhões (US$ 1,3 bilhão) sob gestão e pretende chegar a R$ 20 bilhões rapidamente, segundo projeções de Lacerda.

Ele liderou recentemente roadshows nos Estados Unidos para atrair investidores focados em small caps emergentes, afirmando que esses fundos, por terem perfil de longo prazo, menos exigentes com liquidez diária, demonstraram grande interesse. Ele disse ter ficado “surpreso” com o nível de engajamento desses investidores.

A BR Partners foi fundada em 2009 como uma boutique de fusões e aquisições. Em 2013, obteve licença bancária e passou a atuar também em operações de crédito estruturadas. A empresa captou cerca de R$ 400 milhões por investidores qualificados via oferta pública inicial (IPO) em 2021, e hoje aproximadamente 60% de seu free float está nas mãos de cerca de 50 mil investidores pessoa física.

Atualmente, a empresa emprega cerca de 210 pessoas, com retorno médio sobre capital de 22% em 15 anos e crescimento médio de receita de 24% ao ano. A BR Partners tem também operado com gestão de caixa, passivos corporativos, derivativos e produtos estruturados, contando com 3 mil clientes institucionais e possuindo cerca de R$ 3,7 bilhões em fundos sob gestão.

Lacerda reforça que a expansão da empresa não passará pela escala de varejo ou atuação massiva no mercado médio. Ele afirma: “Não queremos entrar no varejo, concorrendo com clientes. Queremos continuar sendo um banco de serviços independente”, enfatizando o foco em clientes de grande porte.

Com essa aposta na consultoria de dívida, a BR Partners tenta se posicionar de forma mais resistente frente às oscilações de mercado e reduzir sua dependência da sazonalidade típica de fusões e aquisições. Para investidores, será interessante acompanhar se esse movimento realmente será capaz de sustentar receita recorrente — ou se, ao contrário, encontrará limitações de demanda num cenário econômico desafiador.


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