Ray Dalio recomenda alocar 15% da carteira em ouro, em movimento semelhante ao dos anos 1970

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 07/10/2025

O bilionário Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates e um dos gestores mais respeitados do mundo, voltou a recomendar uma fatia relevante de ouro dentro das carteiras de investimento. Em recente análise, Dalio indicou que o momento atual guarda semelhanças com a década de 1970 — um período marcado por inflação elevada, juros altos e instabilidade geopolítica — e que, diante desse cenário, faz sentido destinar cerca de 15% do portfólio ao ouro físico ou a ativos atrelados ao metal.

Dalio relembra que, nos anos 1970, os Estados Unidos enfrentavam forte pressão inflacionária após o fim do padrão ouro e da Guerra do Vietnã. A expansão fiscal, combinada com a elevação do preço do petróleo, gerou desvalorização do dólar e perda de poder de compra da moeda americana. Naquele contexto, o ouro se destacou como um dos ativos mais rentáveis, funcionando como refúgio em meio à deterioração dos mercados tradicionais. Para o investidor, há paralelos claros entre aquele período e o atual.

O gestor ressalta que a economia global passa por um processo de endividamento público crescente e que os bancos centrais enfrentam um dilema: manter os juros altos para conter a inflação ou reduzi-los para aliviar o custo da dívida. Essa incerteza, somada à desvalorização gradual das moedas fiduciárias, cria o ambiente ideal para o fortalecimento do ouro e de outros ativos tangíveis. Dalio afirma que o ouro tende a ganhar valor quando o mercado começa a desconfiar da sustentabilidade da política monetária e da capacidade dos governos de controlar o déficit fiscal.

O investidor também alerta que o ambiente geopolítico reforça a necessidade de diversificação. Ele cita a rivalidade entre Estados Unidos e China, as tensões comerciais e a guerra de narrativas tecnológicas como fatores que podem abalar a confiança internacional nas moedas de reserva. Segundo Dalio, em períodos de incerteza prolongada e mudanças de hegemonia global, os investidores buscam ativos reais que preservem valor independente de fronteiras, e o ouro cumpre exatamente esse papel.

Na visão do fundador da Bridgewater, o metal deve representar uma posição estratégica, não apenas tática. Ele lembra que o ouro não é um investimento voltado ao ganho de rendimento, mas um seguro contra perdas decorrentes de crises sistêmicas. “As pessoas costumam procurar ouro quando já estão em pânico. O ideal é tê-lo antes disso, como parte estrutural da carteira”, costuma afirmar o gestor em seus relatórios.

Dalio não sugere uma migração total de recursos, mas recomenda uma alocação balanceada, de cerca de 15% do patrimônio total. Esse percentual, segundo ele, é suficiente para proteger o investidor em cenários de desvalorização do dólar, choques inflacionários ou recessões prolongadas, sem comprometer o retorno esperado em períodos normais de crescimento econômico.

O gestor cita ainda o conceito que tornou famosa sua “carteira todo-terreno (All Weather Portfolio)”, desenhada para resistir a diferentes ciclos econômicos. Nesse modelo, o ouro ocupa papel relevante ao lado de ações, títulos de renda fixa e commodities. Ele argumenta que, em contextos de política monetária expansionista, o ouro tende a se valorizar e compensar perdas de ativos de risco. Já em momentos de juros em alta e contração econômica, o metal serve como proteção contra crises de liquidez.

Dalio também destacou que a performance recente do ouro confirma seu papel defensivo. Mesmo com os juros elevados nos Estados Unidos e a valorização do dólar frente a outras moedas, o metal conseguiu manter-se estável acima de US$ 2.300 por onça, sustentado por compras recordes de bancos centrais e pela busca de proteção diante de um cenário global cada vez mais instável.

Segundo o investidor, o comportamento dos bancos centrais reforça sua tese. Ele observa que várias autoridades monetárias vêm ampliando as reservas em ouro e reduzindo a exposição ao dólar americano, o que sinaliza uma mudança estrutural na composição das reservas internacionais. Essa tendência, se mantida, tende a apoiar o preço do metal no longo prazo e aumentar sua relevância nas estratégias de proteção patrimonial.

Para Dalio, investidores que compreendem o ciclo histórico da economia reconhecem que o ouro desempenha papel fundamental em momentos de transição. Ele lembra que, após o estouro da bolha das “pontocom” e a crise de 2008, quem possuía exposição ao metal conseguiu atravessar a turbulência com menor perda. Por isso, defende que os investidores atuais aprendam com o passado e mantenham um percentual fixo de ouro em suas carteiras, especialmente quando os sinais de fragilidade fiscal e política estão cada vez mais visíveis.

O bilionário encerra sua análise afirmando que, embora a tecnologia e os novos instrumentos financeiros transformem o mercado, os fundamentos que sustentam o valor do ouro permanecem os mesmos há séculos: escassez, aceitação global e capacidade de preservar poder de compra. Para ele, em períodos de transição como o atual, ignorar o papel estratégico do ouro seria um erro histórico.


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