Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 08/10/2025

A recém-privatizada Sabesp mira novos negócios após alcançar metas de universalização de saneamento no estado de São Paulo e consolidar sua nova estrutura societária. Em entrevista, o CEO Carlos Piani afirmou que a companhia está “à frente das metas”, o que abre espaço para operações de aquisição no segmento de água e energia, dentro e fora do Estado.
Segundo ele, o mercado de concessões e aquisições em saneamento oferece oportunidades superiores a R$ 62 bilhões até 2027, considerando leilões, parcerias público-privadas e concessões reguladas. A Sabesp já iniciou movimentos concretos nessa direção: adquiriu participação majoritária na EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), negócio de R$ 1,1 bilhão, sujeito à aprovação regulatória e antitruste.
Piani explicou que esse movimento não foi agressivo, mas sim resultado de tratativas em que a Sabesp foi procurada por credores. Ele confia no fechamento da transação até o início de 2026, estimando que sua conclusão esteja condicionada a decisões regulatórias e jurídicas que ainda devem ser enfrentadas.
Nos últimos meses, a Sabesp alcançou os índices de abastecimento de água estabelecidos pelo governo estadual e está prestes a cumprir sua meta de esgotamento sanitário. No primeiro semestre, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas passaram a ter cobertura de esgoto no Estado, o que contribui para fortalecer a reputação da empresa no mercado regulado.
A privatização formal da companhia ocorreu em julho de 2024, com parte de seu controle transferido à Equatorial Energia. Apesar de dúvidas iniciais sobre a capacidade da nova controladora em gerir o saneamento, a Sabesp continua avançando nos termos de universalização, conforme exigido por contrato. A falta de cumprimento dessas metas poderia resultar em multas de até R$ 26 bilhões, de acordo com o próprio Piani.
No campo financeiro, a estatal celebrou um trimestre positivo. No segundo trimestre de 2025, seu lucro líquido registrou salto de 77% sobre o mesmo período de 2024 e o EBITDA ajustado cresceu 21%, refletindo ganhos operacionais e melhor gestão de custos. Essas métricas dão conforto ao plano de expansão e reforçam a confiança de investidores.
Paralelamente, a Sabesp definiu um plano de investimentos de R$ 70 bilhões até 2029, com foco em ampliações de cobertura de água para 99% da população paulista e cobertura de esgoto em 90% dos municípios atendidos. Esse plano promove sinergias com aquisições estratégicas que possam fortalecer sua presença regional.
Além de explorar oportunidades no interior de São Paulo, a Sabesp se posiciona para participar de leilões de saneamento em outras regiões, motores do crescimento do setor nos próximos anos. O estado paulista projeta licitações em mais de 210 cidades até meados de 2026, em contratos que podem movimentar cerca de R$ 75 bilhões.
Analistas avaliam que a entrada no mercado de outras empresas de saneamento ou a expansão para estados vizinhos pode acelerar a geração de receitas e fortalecer o perfil da Sabesp como player nacional, ao mesmo tempo que dilui riscos restritos ao território paulista. Haverá atenção especial à estrutura tarifária regulada: a empresa enfrenta agora seu primeiro teste de ajuste tarifário.
No atual momento político, as decisões regulatórias podem ser sensíveis. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, figura como potencial candidato em 2026, e revisões de tarifas podem se tornar tema delicado. Piani comentou que, em caso de inflação elevada nas tarifas, poderia haver subsídios vindos do fundo complementado pela venda da fatia do governo.
Apesar do apetite por crescimento via aquisições, a Sabesp afirma que não precisa lançar oferta acionária adicional no curto prazo, mas não descarta uso desse instrumento se surgirem oportunidades rentáveis. A empresa já captou R$ 15 bilhões em 2025 e planeja manter esse ritmo de captação estrutural.
Para investidores, será crucial observar o ritmo de execução das aquisições, as negociações regulatórias e o impacto das novas receitas e custos nos resultados. O momento marca uma transição ambiciosa: a empresa deixa de ser apenas estatal local para se projetar como agente nacional no setor de saneamento.
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