Risco fiscal e ruído político fazem dólar disparar para R$ 5,50, maior valor em mais de um mês

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 10/10/2025


Moeda americana sobe 2,4% e fecha a semana em forte alta

O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (10) em alta de 2,4%, cotado a R$ 5,50, o maior valor de fechamento desde o início de setembro.
O movimento foi impulsionado por uma combinação de temores fiscais internos, ruídos políticos e fatores externos que levaram à busca por proteção cambial entre investidores.

O dólar turismo também avançou, sendo negociado a R$ 5,60, refletindo o aumento da demanda por moeda americana em meio à incerteza econômica e à fuga de capitais de países emergentes.


Mercado reage à derrota da MP 1.303 e ao pacote de R$ 100 bilhões

A disparada do dólar veio após a derrubada da MP 1.303 no Congresso, medida que previa tributação única de 18% sobre investimentos e JCP e era considerada essencial para a recomposição das contas públicas em 2026.
Com a rejeição da proposta, investidores passaram a projetar maiores dificuldades para o governo cumprir a meta fiscal e maior risco de aumento da dívida pública.

O pessimismo foi amplificado pela notícia de um pacote de gastos de até R$ 100 bilhões, voltado para obras e programas sociais em ano pré-eleitoral.
Sem clareza sobre as fontes de financiamento, a iniciativa acendeu o alerta sobre populismo fiscal e pressão nas contas públicas.


Cenário externo também contribui para a valorização do dólar

Além das turbulências internas, o mercado internacional reforçou o movimento de valorização da moeda americana.
Nos Estados Unidos, a manutenção dos juros em patamares elevados pelo Federal Reserve e as declarações de Donald Trump sobre possíveis novas tarifas contra a China aumentaram a aversão ao risco global.

Com os rendimentos dos Treasuries próximos de 4,5%, investidores estrangeiros reduziram exposição em países emergentes, elevando a demanda por dólar como ativo de segurança. Esse movimento pressionou moedas de toda a América Latina — mas o real foi uma das mais afetadas devido ao cenário político doméstico.


Bolsas caem e juros futuros sobem com fuga de investidores

O ambiente de tensão fiscal e câmbio volátil atingiu em cheio o mercado de capitais.
O Ibovespa fechou em queda de 0,8%, acumulando perda de mais de 3% na semana, enquanto os juros futuros subiram em toda a curva, refletindo a expectativa de Selic alta por mais tempo.

Empresas mais expostas ao mercado doméstico, como varejistas, construtoras e companhias aéreas, registraram quedas mais acentuadas.
Já exportadoras — como Vale e Suzano — tiveram desempenho positivo, beneficiadas pela valorização do dólar.


Impactos diretos para o investidor e o consumidor

A cotação acima de R$ 5,50 tem efeitos diretos sobre o dia a dia dos brasileiros.
Produtos importados, passagens aéreas internacionais e eletrônicos devem ficar mais caros nas próximas semanas, refletindo o novo patamar cambial.

Para investidores, o movimento reforça a importância de diversificar portfólios e manter exposição parcial em ativos dolarizados, como fundos cambiais, BDRs e ETFs internacionais, que funcionam como proteção natural em períodos de instabilidade fiscal.

Economistas alertam que, sem uma sinalização clara do governo sobre responsabilidade orçamentária, o dólar pode testar novamente a faixa dos R$ 5,60 a R$ 5,70 no curto prazo.


Conclusão: confiança é o ativo mais escasso do mercado brasileiro

A disparada do dólar reflete a perda de confiança dos investidores diante do cenário fiscal e político.
A combinação entre promessas de gastos bilionários, derrota no Congresso e incertezas externas colocou novamente o Brasil no radar da cautela.

Para o governo, o recado do mercado é claro: sem disciplina fiscal, o câmbio cobra a conta rapidamente.
Enquanto isso, o investidor deve manter postura defensiva, buscar proteção e lembrar que, no Brasil, a volatilidade é permanente — e a confiança, o ativo mais difícil de reconstruir.


Fontes: InfoMoney –