Governo amplia crédito imobiliário: famílias com renda acima de R$ 12 mil agora podem financiar imóveis de até R$ 2,25 milhões

 Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 12/10/2025


Governo lança nova linha de crédito voltada à classe média
O governo federal anunciou uma ampliação no acesso ao crédito imobiliário para famílias com renda mensal superior a R$ 12 mil — faixa que antes não se enquadrava no programa Minha Casa, Minha Vida. O novo modelo eleva o limite de valor do imóvel financiável no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que passa de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.

Além disso, a Caixa Econômica Federal voltará a financiar até 80% do valor do imóvel, reduzindo a necessidade de entrada para 20% — antes, o financiamento cobria apenas 70%. Outra novidade é a criação de um teto para as taxas de juros: o custo anual não poderá ultrapassar 12%. Atualmente, o mercado pratica taxas entre 11,3% e 13,5% ao ano, acrescidas da Taxa Referencial (TR).


Uso da poupança e liberação de recursos
Para viabilizar o aumento de crédito, o governo propôs mudanças nas regras de uso dos depósitos da poupança, principal fonte de recursos do setor imobiliário. Hoje, 65% dos depósitos são direcionados para financiamentos e 20% ficam retidos como compulsório. O novo modelo reduz essa reserva obrigatória para 15%, o que deve liberar cerca de R$ 35 bilhões em novos financiamentos.

Outra medida importante prevê que bancos possam usar, por até cinco anos, o mesmo volume captado no mercado para crédito imobiliário, desde que renovem o direito após o período. O objetivo é aumentar a liquidez e o fluxo de capital disponível para o setor. Especialistas apontam que as mudanças destravam o sistema de crédito e ampliam a capacidade dos bancos de atender novas famílias.


Benefícios práticos para quem pretende financiar
Com as novas regras, famílias de renda média passam a ter acesso a imóveis mais caros e com condições mais vantajosas. A entrada menor reduz a barreira inicial para aquisição, enquanto o teto de juros garante previsibilidade nas parcelas.

Antes das alterações, o limite de financiamento era de R$ 1,5 milhão, com entrada mínima de 30% e juros entre 11% e 13,5% ao ano + TR. Agora, o cenário passa a ser de financiamento até R$ 2,25 milhões, entrada de 20% e juros limitados a 12% ao ano — um avanço que amplia o alcance da classe média no mercado imobiliário.


Quando a medida começa a valer
Para que as novas regras sejam implementadas, o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central precisam regulamentar o modelo. A expectativa do governo é que o sistema esteja completamente operacional até 2027, embora algumas medidas — como a redução do compulsório — possam surtir efeito antes.

Especialistas avaliam que os impactos iniciais dependerão também do comportamento da taxa Selic, uma vez que o custo do crédito imobiliário está diretamente ligado à política monetária do país.


Desafios à frente: retração da poupança e pressão sobre o sistema
Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta obstáculos estruturais. A poupança, principal fonte de funding do crédito imobiliário, segue em retração. Somente em setembro, houve saques líquidos de R$ 15 bilhões — o maior volume para o mês desde o início da série histórica — e, no acumulado de janeiro a setembro, a saída já ultrapassa R$ 78 bilhões.

O ministro das Cidades, Jader Filho, alertou que “a poupança está deixando de existir”, em referência à dificuldade de sustentar o modelo de financiamento no longo prazo. Incorporadoras e bancos também demonstram preocupação com o encarecimento do crédito e com a necessidade de novas fontes de captação para manter o ritmo de construção e financiamento.


Conclusão
A nova política de crédito imobiliário representa um impulso importante para a classe média brasileira e para o setor de construção civil. Com entrada reduzida, juros limitados e ampliação do valor máximo financiável, mais famílias poderão realizar o sonho da casa própria.

Entretanto, o sucesso da iniciativa depende da capacidade do governo em assegurar liquidez e estabilidade no sistema financeiro. Para o investidor, é hora de observar como a expansão do crédito pode afetar construtoras, incorporadoras e bancos — especialmente em um ambiente de juros altos e poupança em queda.

Fontes: InfoMoney –