Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13/10/2025

Governo americano entra no 13º dia de paralisação e começa a sentir os efeitos na economia
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que a paralisação parcial do governo federal — conhecida como shutdown — já começa a impactar a economia real do país. Segundo ele, o impasse orçamentário levou o governo a adiar pagamentos de setores considerados não essenciais para priorizar despesas militares e de segurança nacional.
Museus, parques e agências federais começaram a suspender atividades por falta de recursos, enquanto parte dos servidores públicos foi colocada em licença não remunerada. “Estamos vendo os primeiros sinais de enfraquecimento na economia real”, declarou Bessent. “Cada dia adicional de paralisação tem um custo para o crescimento e para a confiança no governo americano.”
O que é o “shutdown” e por que ele acontece
O shutdown ocorre quando o Congresso dos Estados Unidos não aprova o orçamento federal a tempo de financiar as atividades do governo. Sem a liberação dos recursos, parte das operações públicas é automaticamente suspensa, já que a Constituição americana proíbe gastos sem autorização legislativa.
Na prática, isso significa que departamentos federais, parques nacionais, museus e agências públicas ficam temporariamente sem verba para operar. Somente serviços considerados essenciais — como defesa, segurança, controle aéreo e hospitais militares — continuam funcionando.
Durante o período de paralisação, milhares de servidores deixam de receber salários, o que reduz o consumo e causa impacto direto no comércio e nos serviços locais. Além disso, atrasos em repasses e contratos federais afetam empresas privadas que dependem de pagamentos do governo.
Impactos econômicos imediatos e risco de desaceleração
O Tesouro americano alertou que, se o impasse persistir, o shutdown pode gerar uma redução temporária do PIB e pressionar o nível de confiança empresarial. O bloqueio orçamentário já obrigou o governo a adiar repasses a instituições como o Smithsonian e o Zoológico Nacional, além de suspender eventos culturais financiados por verbas públicas.
Economistas calculam que cada semana de paralisação retira até 0,1 ponto percentual do crescimento econômico trimestral dos Estados Unidos. O efeito cumulativo pode ser mais severo se o impasse se prolongar, atingindo investimentos, consumo e contratações no setor privado.
Mercados atentos e risco de contágio global
A paralisação prolongada preocupa investidores e bancos centrais em todo o mundo. Como os Estados Unidos são o principal emissor de títulos de dívida e referência de segurança financeira global, qualquer incerteza sobre sua capacidade de gestão orçamentária tende a provocar turbulências nos mercados internacionais.
Historicamente, períodos de shutdown elevam a volatilidade no mercado de renda fixa, pressionam o dólar e fazem investidores migrarem para ativos considerados “refúgio”, como ouro e títulos do Tesouro de países desenvolvidos. O cenário também pode afetar economias emergentes, que sofrem com fuga de capitais em momentos de maior aversão ao risco.
Impasses políticos e custo reputacional
A atual paralisação decorre de um impasse entre republicanos e democratas sobre cortes de gastos e limites de endividamento. Disputas políticas em torno de prioridades orçamentárias — como defesa, imigração e políticas sociais — têm dificultado a aprovação de um acordo no Congresso.
Para além dos impactos econômicos, o shutdown também afeta a credibilidade dos Estados Unidos, mostrando fragilidade na capacidade de governança fiscal. O secretário Scott Bessent destacou que “a economia mais poderosa do mundo não pode funcionar no modo intermitente”, alertando para o custo de paralisias frequentes.
Conclusão
A paralisação do governo americano, que já dura quase duas semanas, deixa de ser apenas uma crise política e começa a se refletir na economia real, atingindo famílias, empresas e a confiança dos mercados.
Para o investidor, o episódio serve como lembrete de que mesmo economias consolidadas estão sujeitas a choques de instabilidade política. Em momentos assim, a prudência é essencial: diversificação internacional, proteção cambial e atenção a ativos de refúgio tornam-se ferramentas estratégicas para preservar patrimônio em um cenário de incerteza global.
