China amplia controle sobre terras raras e ameaça excluir países da economia moderna

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 14/10/2025


Pequim eleva o grau de restrição sobre insumos estratégicos
A China anunciou um novo pacote de restrições à exportação de terras raras — um grupo de minerais essenciais para a fabricação de chips, veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, baterias, smartphones e equipamentos de defesa.
Com as novas regras, o governo chinês passou a controlar de forma mais rígida a venda, o licenciamento e o destino final desses insumos, o que na prática lhe concede poder para condicionar a participação de outros países na economia tecnológica global.

A medida é vista por analistas como uma forma de “arma geoeconômica”: quem contrariar interesses de Pequim pode enfrentar limitações severas no acesso a matérias-primas fundamentais para setores de alta tecnologia.


O que são terras raras e por que elas são tão importantes
Apesar do nome, as terras raras não são exatamente minerais escassos — o termo se refere a um grupo de 17 elementos químicos (como neodímio, lantânio, cério e disprósio) encontrados em baixas concentrações e de difícil extração.

Esses elementos possuem propriedades magnéticas, condutoras e luminescentes únicas, que os tornam indispensáveis em praticamente toda a tecnologia moderna. Estão presentes em motores elétricos, ímãs de alto desempenho, baterias recarregáveis, cabos de fibra óptica, mísseis guiados, satélites e até em painéis solares e turbinas eólicas.

Atualmente, a China domina cerca de 70% da extração global e mais de 90% do refino desses minerais. Isso significa que quase todo o mundo depende, direta ou indiretamente, do país para manter suas cadeias produtivas tecnológicas em funcionamento.


Mecanismos de restrição e o novo poder chinês
Com a atualização das regras, o governo chinês ampliou a lista de produtos sob controle e estabeleceu um sistema de licenciamento obrigatório para exportação, classificando algumas categorias como de “uso estratégico”.
Na prática, isso permite a Pequim determinar quem pode ou não comprar certos insumos e sob quais condições, transformando o controle mineral em instrumento de pressão política e econômica.

A medida surge em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos e seus aliados, que vêm impondo restrições à exportação de semicondutores e equipamentos de alta tecnologia para a China. Agora, Pequim devolve o golpe, usando seu domínio sobre as terras raras como forma de resposta e de proteção estratégica.


Reação internacional e realinhamento global
Governos e empresas de tecnologia em países ocidentais demonstraram preocupação com a possibilidade de novas rupturas na cadeia global de suprimentos. Alguns especialistas afirmam que a China estaria redefinindo as regras do comércio internacional, impondo um modelo em que a lealdade política se torna requisito para acesso a recursos vitais.

Os Estados Unidos, Japão e União Europeia já estudam medidas para diversificar a origem dos minerais, investir em minas próprias e criar estoques estratégicos, a fim de reduzir a dependência chinesa. Contudo, especialistas ressaltam que nenhum outro país, hoje, possui infraestrutura comparável à da China para o refino e processamento desses materiais.


Impactos e oportunidades para economias emergentes
Para países com potencial mineral — como Brasil, Austrália e Índia —, o cenário pode representar tanto risco quanto oportunidade. De um lado, abre espaço para novos investimentos estrangeiros na exploração e refino de terras raras fora da Ásia. De outro, coloca essas nações sob pressão geopolítica, já que precisarão equilibrar relações comerciais com a China e com o Ocidente.

A corrida global por minerais estratégicos também tende a aumentar os preços, atrair capital para mineração e gerar disputas por concessões e infraestrutura logística, especialmente em regiões com reservas sub-exploradas.


Conclusão
O endurecimento da política chinesa para exportação de terras raras deixa claro que o país não apenas domina o suprimento desses minerais, mas agora passa a ditar as condições de acesso à economia moderna. Ao transformar insumos naturais em instrumentos de poder, a China amplia sua influência sobre cadeias globais e desafia a hegemonia tecnológica ocidental.

Para o investidor, o recado é direto: a geopolítica dos recursos naturais se tornou uma variável central no mercado. A disputa por terras raras e minerais críticos definirá não apenas o preço das commodities, mas também o equilíbrio econômico e tecnológico das próximas décadas.

Fontes: InfoMoney –