Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 15/10/2025

Pressão de preços retorna em meio à tentativa de estabilização econômica
A Argentina registrou alta de 2,1% na inflação de setembro, segundo dados oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Embora o resultado represente desaceleração na taxa anual para 31,8%, o avanço mensal reacende preocupações sobre a capacidade do governo de Javier Milei em manter o controle de preços e restaurar a confiança econômica.
O índice reflete uma combinação de fatores: reajustes sazonais, repasses cambiais e efeitos de alta em energia e transportes, setores que seguem sensíveis à variação do dólar. Mesmo com uma queda expressiva na inflação anual — que supera 200% no início de 2024 —, a estabilidade ainda está longe de ser consolidada.
O que explica a nova alta mensal de 2,1%
Economistas apontam que o aumento recente está ligado a um conjunto de fatores estruturais e conjunturais que seguem pressionando o custo de vida.
Entre os principais:
- Desvalorização cambial: a recente volatilidade do peso argentino elevou o preço de produtos importados e insumos industriais.
- Reajustes de tarifas e combustíveis: medidas de correção fiscal e retirada de subsídios aumentaram os custos de energia e transporte público.
- Inércia inflacionária: contratos indexados e reajustes automáticos mantêm a inflação viva mesmo diante da queda da demanda.
- Expectativas de mercado: a incerteza quanto à política monetária gera pressão preventiva nos preços.
Segundo analistas, a inflação de 2,1% em um único mês ainda representa um risco relevante, pois pode reverter parte dos ganhos obtidos nos últimos trimestres.
Reformas em andamento e dilema político
O governo Milei enfrenta um dilema fiscal e político: manter o plano de austeridade para restaurar o equilíbrio das contas públicas ou aliviar temporariamente os cortes para conter o desgaste social.
A política de ajuste monetário severo e a tentativa de dolarização parcial da economia reduziram o ritmo da inflação anual, mas provocaram recessão e perda de poder de compra da população.
Fontes próximas ao Ministério da Economia argentino indicam que o governo avalia medidas pontuais de estímulo ao consumo, ao mesmo tempo em que busca preservar o discurso de responsabilidade fiscal. O desafio é manter o apoio político necessário para avançar com reformas estruturais sem comprometer o controle inflacionário.
Impactos regionais e o olhar dos investidores
O comportamento da inflação argentina tem reflexos diretos no mercado financeiro regional e no comércio com o Brasil, principal parceiro econômico do país.
Uma nova escalada de preços poderia pressionar o câmbio, afetar exportações e reduzir o fluxo de capitais para o país vizinho.
Para os investidores, a trajetória atual indica que o governo argentino ainda enfrenta riscos de execução fiscal e credibilidade política, fatores que devem manter o país sob observação nos próximos trimestres. A inflação de 31,8% ao ano, embora muito inferior à dos anos anteriores, ainda é uma das mais altas do mundo — e suficiente para restringir investimentos de longo prazo.
Conclusão
A desaceleração anual da inflação argentina mostra avanços sob a política de ajuste do governo Milei, mas a alta mensal de 2,1% reforça que a economia ainda opera em terreno instável.
A consolidação da estabilidade depende da combinação entre credibilidade política, reformas fiscais sustentáveis e câmbio controlado.
Para o investidor, o caso argentino segue como alerta regional: controlar a inflação é possível, mas exige disciplina fiscal e confiança — dois ativos que, na Argentina, continuam entre os mais voláteis do continente.
