BBAS3 cai 1,84% e destoa do setor enquanto mercado avalia envolvimento financeiro com os Correios

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 16/10/2025


Banco do Brasil recua enquanto pares avançam na bolsa

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) fecharam em queda de 1,84%, encerrando o pregão a R$ 20,32, enquanto bancos privados registravam valorização. O recuo chama atenção porque coincide com rumores de que a instituição poderá ser chamada a participar de um empréstimo coletivo para socorrer os Correios. Para o investidor, esse movimento pode indicar receio do mercado com riscos políticos, crédito e exposição extra para uma estatal já sob forte pressão.


Desempenho atípico em meio ao setor

Na mesma sessão, bancos como Bradesco e Santander encerraram em alta de mais de 1%, enquanto Itaú ficou estável — mostrando uma clara discrepância no comportamento da BBAS3 frente aos pares.

Fontes ouvidas pelo mercado sugerem que o recuo das ações está ligado à expectativa de que o Banco do Brasil participará, junto à Caixa Econômica Federal e outros bancos, de um consórcio de crédito para injetar R$ 20 bilhões nos Correios, empresa em crise de liquidez.

Esse suposto suporte financeiro seria parte de um pacote de reestruturação da estatal postal, composto também por cortes de despesas, diversificação de receitas e recuperação de caixa operacional. O modelo pensado prevê a formação de um grupo de instituições e pode envolver garantias ou aval do Tesouro Nacional.


Cautela com risco político e exposição estatal

A queda de BBAS3 revela que o mercado está preocupando-se não só com a exposição financeira extra que o banco poderia assumir, mas com o custo político e reputacional de estar envolvido numa operação com alto grau de risco público. Para o investidor, isso significa que a ação pública de grandes bancos estatais deve ser observada com cautela: lucros aceitáveis no setor privado podem conviver com perdas em cenários de socorro estatal. Em resumo: há uma dupla tensão — risco de crédito e risco político — que pesa mais em ações como a do Banco do Brasil.


O que o mercado deve observar nas próximas semanas

Enquanto nada for confirmado oficialmente, grande parte da aversão permanecerá no radar dos investidores. Será essencial acompanhar os desdobramentos sobre a operação de crédito aos Correios, qualquer sinal de aval do governo e comunicados oficiais do Banco do Brasil. Dependendo do grau de envolvimento, pode surgir nova pressão sobre a cotação de BBAS3 e volatilidade no setor financeiro.

Fontes: InfoMoney