Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 16/10/2025

Introdução
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês pode trazer um efeito inesperado para a economia: adiar a queda dos juros básicos.
Segundo projeção da Reach Capital, o aumento da renda disponível deve impulsionar o consumo e pressionar a inflação, levando o Banco Central a manter a taxa Selic em 15% até pelo menos abril de 2026.
Para o investidor, isso significa um cenário de juros altos por mais tempo — bom para quem está na renda fixa, mas desafiador para quem depende de crédito ou renda variável.
Isenção amplia o consumo e adia o corte da Selic
De acordo com o economista-chefe da Reach Capital, Igor Barenboim, a nova isenção deve gerar uma injeção de consumo equivalente a 0,3% do PIB, ao liberar mais renda para a população gastar. Esse aumento na demanda, segundo ele, pode dificultar o processo de desaceleração da inflação — o que empurra para frente a possibilidade de corte nos juros.
Barenboim explica que o Banco Central deve atuar com prudência e foco na credibilidade, mesmo sob pressão política para reduzir a taxa básica. “Com mais dinheiro circulando, o BC vai preferir esperar até que os dados de inflação e consumo estejam sob controle antes de iniciar os cortes”, disse.
Antes da mudança no IR, as projeções do mercado apontavam para primeiros cortes em janeiro ou março de 2026, mas a Reach Capital projeta agora abril como o mês mais provável para o início da flexibilização monetária.
Banco Central deve agir com cautela e manter discurso firme
O relatório da Reach Capital também avalia que o BC seguirá um tom técnico e conservador, mantendo o foco em preservar sua imagem de independência.
Barenboim destaca que, após o reconhecimento da postura firme do Banco Central nas últimas decisões, a instituição tende a evitar qualquer sinal de pressa: “O Copom vai preferir errar por excesso de cautela do que correr o risco de perder o controle inflacionário.”
Essa conduta reforça a leitura de que, mesmo com uma inflação em trajetória de queda, o BC não deve antecipar cortes sem garantias de que o estímulo fiscal — como a nova isenção — não comprometerá o equilíbrio de preços.
Análise do Bolso do Investidor: juros altos continuam favorecendo a renda fixa
Para o investidor, a mensagem é clara: o ciclo de juros baixos ainda não começou.
Com a Selic alta por mais tempo, títulos pós-fixados (atrelados ao CDI) e papéis indexados à inflação (IPCA+) continuam entre as opções mais vantajosas do momento.
Por outro lado, a renda variável pode seguir pressionada, já que o custo de crédito elevado tende a limitar o consumo e os investimentos corporativos.
A recomendação é de cautela e diversificação: aproveitar a renda fixa enquanto o cenário permanece favorável e manter atenção aos dados de inflação e atividade econômica, que podem mudar o rumo da política monetária nos próximos meses.
Fechamento e próximos passos do mercado
A evolução do consumo após o aumento da isenção do IR será o principal indicador a ser monitorado.
Se o gasto das famílias crescer acima do esperado, o Banco Central terá respaldo para manter os juros altos até meados de 2026.
Por outro lado, sinais de desaquecimento da economia poderiam antecipar o início dos cortes.
O mercado também acompanhará de perto o discurso dos membros do Copom nas próximas semanas e os dados de inflação de curto prazo, que serão determinantes para calibrar as expectativas de política monetária.
Até lá, a palavra de ordem para investidores e analistas é a mesma: paciência e prudência.
Fontes: InfoMoney
