Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 17/10/2025

Introdução
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou ao centro do debate político ao acusar o governo federal de ser responsável pelo recente “tarifaço” dos Estados Unidos e afirmar que o ex-presidente Jair Bolsonaro é alvo de uma “farsa judicial”. Em entrevista concedida à agência AFP, Michelle também criticou a pressão sobre o marido para definir um sucessor na disputa presidencial de 2026. Suas declarações reacendem tensões internas na direita e ampliam o tom de confronto com o Palácio do Planalto.
Michelle responsabiliza governo e fala em “perseguição política”
Na entrevista, Michelle afirmou que as sanções impostas pelos Estados Unidos têm origem na postura do governo brasileiro atual, que, segundo ela, “viola direitos humanos e princípios democráticos”. A ex-primeira-dama atribuiu ao Executivo a culpa pela escalada das tensões comerciais e pela deterioração da imagem internacional do país.
Ela também classificou como “farsa judicial” os processos contra Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente é alvo de perseguição com motivação política. Segundo Michelle, o objetivo dessas ações seria minar a liderança de Bolsonaro no campo conservador e enfraquecer sua influência nas eleições de 2026.
Pressão eleitoral e defesa do legado bolsonarista
Michelle reclamou da pressão crescente para que Bolsonaro indique um nome de consenso na direita para disputar o próximo pleito presidencial. Ela afirmou que qualquer decisão será tomada “em oração”, junto à família e ao Partido Liberal (PL), e reforçou que Bolsonaro continuará sendo o principal líder da direita no Brasil.
“Qualquer decisão que eu venha a tomar passará por debate profundo com meu marido, com minhas filhas, com o PL e, em especial, será fruto de muita oração”, afirmou Michelle, em tom de cautela e alinhamento religioso.
A fala foi interpretada por analistas políticos como uma tentativa de manter o núcleo bolsonarista unido, evitando divisões internas num momento em que aliados pressionam por definição antecipada de candidaturas.
Impactos políticos e repercussão dentro da direita
As declarações surgem em meio à reorganização de forças conservadoras. Enquanto parte do PL defende que Michelle assuma papel mais ativo, outros segmentos tentam antecipar nomes alternativos — o que aumenta as divergências dentro do grupo.
A crítica direta ao governo sobre o “tarifaço” amplia a polarização e reforça a estratégia de deslocar responsabilidades externas para fatores internos, em linha com o discurso adotado por Bolsonaro desde sua inelegibilidade. O movimento tenta projetar Michelle como voz ativa, mantendo o ex-presidente como referência simbólica, mesmo fora das urnas.
Análise do Bolso do Investidor
O posicionamento de Michelle Bolsonaro revela um reposicionamento estratégico do campo conservador diante das incertezas políticas e jurídicas do ex-presidente. Para o investidor, o recado é claro: o cenário eleitoral de 2026 tende a ser marcado por polarização, disputa narrativa e pressão sobre políticas econômicas.
Esses embates aumentam o nível de ruído político e podem influenciar as expectativas fiscais, a condução de reformas e a confiança dos agentes econômicos. Em períodos de instabilidade, o mercado tende a reagir com cautela a falas que elevam o risco político — principalmente quando envolvem potenciais lideranças de peso como o casal Bolsonaro.
Fechamento e próximos passos
Nos próximos meses, o foco estará em como Michelle e o PL irão administrar as pressões internas por definição eleitoral e se o governo responderá às acusações relacionadas à política externa e ao “tarifaço”.
Para o mercado, o principal ponto de atenção é como a disputa política afetará o ambiente fiscal e diplomático, já que tensões entre Brasília e Washington podem repercutir no comércio e nas expectativas de investimento estrangeiro.
O cenário reforça que a sucessão de 2026 será uma corrida de resistência — e que cada declaração pública de figuras-chave como Michelle pode influenciar não só o tabuleiro político, mas também o humor do mercado.
Fontes: InfoMoney
