Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19/10/2025

Introdução
Com a aproximação da Copa do Mundo de 2026 — que será sediada nos Estados Unidos, México e Canadá —, muitos torcedores começam a planejar a viagem dos sonhos para acompanhar a seleção brasileira. Mas, diante dos altos preços dos pacotes oficiais, surge a dúvida: vale mais a pena gastar agora ou investir o valor até o início do torneio? Segundo levantamento de agências de turismo e simulações financeiras, o custo de um pacote completo pode ultrapassar R$ 63 mil, valor que, se aplicado em renda fixa, renderia um bom retorno até o evento — e ainda mais se mantido até 2030.
Pacotes e custos da viagem dos sonhos
Os pacotes oferecidos por operadoras credenciadas à FIFA incluem hospedagem de cinco noites em hotel de alto padrão, transporte, city tour, e ingresso com hospitalidade premium para assistir a um jogo da Seleção Brasileira. O valor total: R$ 63.225,60, sem incluir passagem aérea.
Há opções mais simples, com hospedagem quatro estrelas ou quarto duplo, custando entre R$ 41 mil e R$ 48 mil, mas ainda assim representam um investimento considerável para a maioria dos torcedores. É justamente esse montante que os analistas financeiros usaram como base para calcular o chamado “custo de oportunidade” — o quanto o dinheiro poderia render se fosse aplicado em vez de gasto com a viagem.
Se investir hoje, quanto renderia até 2026 (e até 2030)
De acordo com simulações da Hike Capital, se os R$ 63.225,60 fossem aplicados hoje em produtos de renda fixa, o valor poderia crescer de forma significativa até o início da Copa de 2026.
No Tesouro Selic, o montante chegaria a R$ 68.411, enquanto em um CDB que paga 110% do CDI, o valor subiria para R$ 68.933. Já uma LCI ou LCA a 95% do CDI renderia cerca de R$ 69.194.
Ou seja, ao optar pelo investimento em vez da viagem, o torcedor poderia ter um ganho líquido de até R$ 6 mil em menos de um ano.
Mas o cenário fica ainda mais interessante se o investidor decidir segurar o dinheiro até a Copa de 2030. Nesse caso, o mesmo valor poderia atingir até R$ 87.952,75, o que representa um ganho de quase R$ 25 mil — valor suficiente para bancar um novo pacote completo com sobra para passagens e extras.
Copa, consumo e planejamento financeiro
Para especialistas, a decisão entre investir ou viajar não deve ser apenas matemática, mas também emocional. A experiência de assistir a uma Copa do Mundo é única, mas, do ponto de vista financeiro, é importante avaliar o contexto individual. Se o gasto comprometer a reserva de emergência ou parte relevante da renda familiar, a melhor escolha pode ser investir o valor e realizar o sonho mais adiante, com mais tranquilidade financeira.
Já quem possui folga no orçamento pode encarar o gasto como um “investimento em experiência”, desde que ciente do impacto que isso traz ao longo prazo. Uma alternativa viável é planejar a viagem com antecedência, parcelando o valor ou dividindo custos com amigos e familiares para reduzir o peso do desembolso.
Análise do Bolso do Investidor
A comparação entre o gasto com lazer e o retorno financeiro de uma aplicação revela um ponto essencial da educação financeira: o valor do tempo sobre o dinheiro. Em um ambiente de juros elevados, o poder de crescimento de aplicações seguras é expressivo.
Transformar um pacote de viagem em uma reserva financeira não significa desistir do sonho, mas adiar o prazer imediato em troca de um ganho futuro mais sólido. Essa mentalidade é o que separa o consumidor impulsivo do investidor consciente.
Ao mesmo tempo, o mercado turístico também se beneficia dessa lógica, já que quem se planeja com antecedência pode conseguir pacotes mais baratos, convertendo parte do ganho financeiro em economia real.
Fechamento e o que observar
Com juros ainda altos e inflação sob controle, a renda fixa segue atrativa para o investidor conservador — e o cálculo da “Copa ou investimento” é uma boa metáfora para o dilema entre consumo e planejamento.
Nos próximos meses, será importante observar tanto as variações no câmbio (que afetam os pacotes de viagem) quanto as taxas de juros e o comportamento dos produtos de renda fixa.
No fim das contas, assistir a um jogo da seleção é uma experiência inesquecível, mas saber que seu dinheiro também pode “jogar a favor” do seu futuro é o verdadeiro golaço financeiro.
Fontes: InfoMoney
