Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19/10/2025

A plataforma digital de delivery iFood anunciou uma ambição ousada: tornar-se um banco comercial nos próximos três anos. O CEO da companhia, Diego Barreto, revelou em entrevista ao jornal O Globo que o primeiro passo será submetido ao regulador em 2026, quando pretende requerer licença junto ao Banco Central do Brasil para oferecer depósitos remunerados aos clientes. Para economistas e investidores, o anúncio desloca a iFood de plataforma de delivery para instituição financeira com potencial impacto no setor de pagamentos, crédito e no ecossistema de serviços bancários.
Do delivery ao banco: o plano da iFood
Segundo a entrevista publicada em 19 de outubro de 2025, o CEO afirmou: “Quero, no ano que vem, já estar recebendo depósitos. Hoje, já tenho uma conta digital, fluxo de pagamentos e serviços financeiros, mas quero, a partir do ano que vem, passar a oferecer depósito remunerado para os restaurantes”.
A iFood vem desenvolvendo sua fintech interna desde 2022, com foco em crédito aos restaurantes. Atualmente, o desembolso da empresa para pequenos e médios comerciantes chega a R$ 160 milhões por mês, com prazo médio de 18 meses. Em 2025, a expectativa é atingir cerca de R$ 2 bilhões de concessão de crédito.
Além disso, com o aumento do volume de transações dentro de sua plataforma, entregas, pagamentos, conta digital, a empresa ganha escala de dados e receita de intermediação, o que reforça seu argumento para migrar para a licença bancária. O CEO explicou que essa base permite oferecer depósitos remunerados, crédito imobiliário e investimentos no médio prazo, tanto para empresas quanto, eventualmente, para pessoas físicas.
Aspectos regulatórios e desafios
Para se tornar banco comercial, a iFood terá de cumprir exigências do Banco Central em termos de capital mínimo, governança, compliance, liquidez e supervisão bancária. O requerimento de licença está previsto para 2026, o que significa que o processo regulatório começa imediatamente.
No entanto, o setor financeiro brasileiro enfrenta atualmente taxas de juros elevadas, maior custo de captação e rígido ambiente regulatório. Para a iFood, além da obtenção da licença, será necessário equilibrar crescimento da carteira de depósitos e crédito, rentabilidade da operação e risco de crédito, campos pouco explorados pela empresa até então.
Impacto no mercado e posição competitiva
A metamorfose da iFood para banco comercial pode ter múltiplas implicações para investidores e para o mercado bancário:
- A empresa poderia diversificar receitas, reduzindo a dependência do modelo de delivery e explorando serviços financeiros de maior valor agregado.
- Os bancos tradicionais e fintechs poderiam enfrentar nova competição, especialmente no segmento de micro e pequenas empresas e em pagamentos dentro do ecossistema “APP + conta digital + crédito”.
- Para a iFood, trata-se de aproveitar sua base de usuários e fluxo de pagamentos para construir um “superapp financeiro”, elevando o valor de vida útil do cliente (LTV).
Visão do Bolso do Investidor
A meta da iFood de se tornar banco comercial sinaliza uma transição estratégica que vai além do delivery, aponta para uma nova fase na qual empresas digitais entram na arena financeira. Para o investidor, isso oferece dois fios condutores principais: um lado oportunidade, com ampliação de receita e escala financeira; outro risco, associado à regulação, alavancagem financeira e execução operacional de modelo bancário. Se bem sucedida, a empresa poderá capturar margens típicas de banco (depósitos + crédito) e aumentar o valor de sua plataforma. Mas o caminho exige investimento pesado, talento especializado e adaptação à regulação bancária, falhas nesse processo podem significar custos elevados e desaceleração da valorização.
Conclusão
A iFood lança um plano de longo prazo que ambiciona transformar uma plataforma de delivery em instituição bancária integral, com impacto direto em pagamentos, crédito e serviços financeiros. O primeiro capítulo será escrito já em 2026, com o pedido de licença para depósitos remunerados. Investidores e o mercado financeiro devem acompanhar de perto os marcos regulatórios, a construção da infraestrutura bancária e a evolução das métricas de depósitos, crédito e rentabilidade. Essa transição pode redesenhar o ecossistema competitivo, mas também exige rigor na execução e no controle de risco.
Fontes:InfoMoney
