Consumo em supermercados cresce 2,79% em setembro e mostra retomada do poder de compra

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24/10/2025

Introdução

O varejo de alimentos vive um momento de leve recuperação: de acordo com a ABRAS, o consumo nos lares brasileiros (em especial o gasto em supermercados) registrou crescimento de 2,79 % em setembro em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Para o investidor, esse dado oferece uma leitura importante sobre o comportamento do consumidor, o impacto da inflação, a dinâmica de renda e o ambiente de varejo doméstico — e pode emitir sinais sobre performance de redes de supermercados, fabricantes de bens de consumo e a economia como um todo.


Desenvolvimento

O indicador divulgado pela ABRAS aponta que, em valores reais — isto é, deflacionados pelo IPCA — o consumo nos lares cresceu 2,79 % na comparação anual em setembro, embora tenha recuado 0,94% em relação a agosto.
Entre os principais fatores que explicam esse crescimento anual estão:

  • A melhora relativa da renda disponível das famílias, com menor queda de emprego formal e manutenção do auxílio do 13º salário e abonos em alguns segmentos, que contribuem para elevar o gasto das famílias.
  • A queda ou estabilização dos preços de vários alimentos básicos — segundo levantamento da própria ABRAS, a cesta de 35 produtos teve recuo nos preços em setembro, o que melhora o poder de compra e permite que as famílias comprem mais ou voltem a repor estoques.
  • O efeito de datas sazonais e antecipação de consumo: embora setembro não tenha um feriado expressivo, a aproximação de vendas de fim de ano faz com que famílias antecipem compras ou sobrem compras, impulsionando o varejo alimentar.
  • Ajustes no comportamento de consumo, com consumidores voltando a frequentar mais o supermercado em vez de reduzir gastos severamente — reflexo de uma percepção de melhora ou de estabilização econômica.

Por outro lado, o recuo mensal de 0,94% frente a agosto mostra que o crescimento ainda não é pleno e depende de fatores externos e internos — férias, feriados, clima de otimismo, política monetária e inflação. A combinação de crescimento anual com queda mensal evidencia que o base de comparação favoreceu o resultado, mas que o ritmo de recuperação ainda exige confirmação.


Análise do Bolso do Investidor

Para o investidor, a alta anual de 2,79% no consumo doméstico em supermercados representa um sinal positivo: ela sugere que, ao menos no varejo alimentar, as famílias começam a retomar alguma normalidade de gasto, o que é favorável para redes de supermercados, fabricantes de alimentos e distribuidores. A queda no preço da cesta de consumo básico melhora margens para varejistas ou permite maior volume para as mesmas receitas.
Ao mesmo tempo, o dado mostra que o crescimento ainda é modesto e vulnerável — o recuo mensal alerta para a necessidade de cautela. Se a inflação voltar a acelerar, o câmbio se depreciar ou houver fraqueza no mercado de trabalho, esse crescimento pode ser revertido ou desacelerado. Assim, empresas com boa gestão de custos, diversificação geográfica, controle de margens e canais digitais têm vantagem competitiva. Para carteiras, ações de varejo alimentar ou de bens de consumo básico podem oferecer resiliência, mas não devem ser vistas como blindadas contra choques macroeconômicos.


Fechamento

O crescimento do consumo em supermercados no Brasil é um indicativo de melhora na confiança do consumidor e de condições de renda, mas não é garantia de normalização plena. O investidor deve acompanhar os próximos meses para ver se a tendência se sustenta — especificamente observando inflação de alimentos, evolução do emprego, política de preços no varejo e impacto de datas fortes (como Black Friday e período pré-natal). Se esses fatores caminharem bem, o ambiente para o varejo alimentar pode se tornar incrementalmente mais promissor no ciclo 2025-26; caso contrário, a expansão pode se mostrar tímida e de curta duração.

Fontes: InfoMoney, ABRAS