Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 25/10/2025

A Americanas (AMER3) anunciou o lançamento de um novo programa de fidelidade e de um crediário próprio, em mais um passo de sua reestruturação após o processo de recuperação judicial. O objetivo é ampliar a base de clientes, fortalecer as vendas nas lojas físicas e retomar gradualmente o crescimento de receita.
Batizado de Cliente A, o programa de pontos começa a ser implantado nas lojas da rede e permitirá aos consumidores acumular e resgatar benefícios, além de oferecer vantagens exclusivas para quem utilizar o cartão da marca.
Como funcionará o programa “Cliente A”
O novo programa será implementado em três etapas.
Na primeira fase, o consumidor poderá informar CPF e telefone no caixa e obter descontos imediatos nas compras, sem necessidade de cadastro prévio em aplicativo.
Na segunda etapa, a Americanas vai integrar o cartão de crédito próprio ao programa de fidelidade, permitindo o acúmulo de pontos e a conexão com outros sistemas de recompensas, como Livelo e Dotz.
Por fim, a terceira fase — prevista para o final de 2026 — incluirá o lançamento de um crediário próprio, criado para facilitar o parcelamento de compras e expandir as opções de pagamento, especialmente para clientes das classes C e D, público de maior presença nas lojas físicas da companhia.
A empresa afirmou que o programa foi desenhado para estimular compras recorrentes, aumentar o ticket médio e aprimorar a relação direta com os consumidores. Segundo o comunicado, a iniciativa faz parte da nova estratégia de posicionamento, voltada à consolidação do varejo físico e à construção de um ecossistema de fidelidade.
O crediário e a estratégia de financiamento
O crediário será estruturado por meio de um fundo de direitos creditórios (FIDC), do qual a Americanas será a única cotista. Essa medida permite que a empresa opere o parcelamento diretamente com o cliente, sem intermediação bancária, preservando as margens e reforçando a autonomia financeira.
Com o crediário, a varejista espera aumentar o volume de compras presenciais e oferecer acesso facilitado ao crédito em um momento em que o consumo segue pressionado pelos juros elevados. A empresa destaca que o modelo também contribui para reunir informações financeiras sobre o comportamento de compra dos clientes — dados que serão usados para aprimorar campanhas de marketing e oferta de produtos.
Recuperação e foco nas lojas físicas
Após um período de forte turbulência financeira, a Americanas vem concentrando esforços em seu negócio físico, que ainda responde por boa parte da receita. No primeiro semestre de 2025, as vendas das lojas totalizaram R$ 9,3 bilhões, uma queda de 6,6% em relação ao mesmo período de 2024, em parte devido à desaceleração do marketplace.
A empresa pretende usar o novo programa e o crediário como alavancas para reaproximar clientes antigos e atrair novos públicos. O CEO da Americanas afirmou que a estratégia é recuperar competitividade sem recorrer a capital externo, aproveitando as bases estruturais já existentes.
Visão do Bolso do Investidor
As iniciativas da Americanas refletem uma mudança clara de postura corporativa. Em vez de depender de novos aportes, a empresa busca gerar liquidez e fidelização a partir da própria operação. O crediário, ao mesmo tempo em que amplia as vendas, representa um risco adicional, pois aumenta a exposição à inadimplência — especialmente em um cenário de juros altos.
Para o investidor, o movimento mostra uma tentativa de reconstrução de confiança no varejo tradicional, combinando inovação no relacionamento com o cliente e foco em rentabilidade. Se bem executada, a estratégia pode se tornar um diferencial competitivo, mas o sucesso dependerá da adesão do público e da gestão eficiente do crédito concedido.
Conclusão
O lançamento do programa Cliente A e do crediário próprio marca uma nova fase na trajetória da Americanas. A companhia tenta mostrar ao mercado que ainda tem fôlego para inovar e encontrar caminhos sustentáveis de crescimento, mesmo em um ambiente desafiador.
Os próximos trimestres serão determinantes para medir o impacto dessas iniciativas nas vendas e no comportamento de seus clientes — e, principalmente, na confiança dos investidores sobre o futuro da varejista.
Fontes:
