Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 27/10/2025

Introdução
Após meses de instabilidade na oferta de alimentos, o abastecimento dos supermercados brasileiros mostrou sinais de recuperação em setembro. Itens básicos como ovos, arroz, feijão, café e azeite voltaram a aparecer com mais regularidade nas gôndolas, de acordo com o Índice de Ruptura da Neogrid. Apesar do avanço, a melhora ainda é desigual: a cerveja segue desaparecida das prateleiras, com preços em alta e queda na produção. O contraste revela que, embora o pior momento do desabastecimento tenha passado, os custos e a pressão inflacionária continuam sendo desafios para o varejo e para o consumidor.
Desenvolvimento
Segundo o levantamento, o índice geral de falta de produtos caiu de 13,1% em agosto para 11,9% em setembro, uma redução de 1,2 ponto percentual. A melhora foi puxada por alimentos essenciais, que registraram maior reposição nas redes de varejo.
O destaque negativo ficou para a cerveja, único produto que teve piora no período. A indisponibilidade subiu de 12,1% para 12,8%, resultado da queda de 11% na produção de bebidas alcoólicas em agosto, segundo o IBGE, e da migração de consumidores para a cerveja após restrições sobre bebidas destiladas durante a crise do metanol.
Além da falta, os preços também subiram. A cerveja artesanal avançou para R$ 21,63, enquanto as versões tradicionais e sem álcool tiveram reajustes próximos de 7% em média. Nos alimentos, produtos como arroz, café e azeite também ficaram mais caros, refletindo custos logísticos, agrícolas e climáticos.
O café, em especial, tende a registrar novos aumentos nas próximas semanas, impulsionado pela valorização do grão na Bolsa de Nova York e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as importações.
Robson Munhoz, estrategista-chefe da Neogrid, explica que, embora o cenário mostre um ajuste positivo na cadeia de suprimentos, o orçamento das famílias segue apertado. Segundo ele, o consumidor tem optado por marcas mais baratas e buscado promoções, em um movimento de adaptação ao custo de vida mais alto.
Análise do Bolso do Investidor
A melhora no abastecimento de alimentos indica alívio momentâneo para o setor varejista e para a inflação de curto prazo, mas o aumento de preços mantém o consumo sob pressão. Para o investidor, isso cria um quadro misto: redes de supermercados tendem a ganhar com maior fluxo de clientes e giro de estoque, enquanto fabricantes de bebidas e produtos alimentícios ainda enfrentam margens comprimidas por custos de insumos e energia.
O setor de bebidas, em especial, pode sentir os efeitos no terceiro trimestre, com queda de produção e alta de preços limitando o consumo. Já as exportadoras agrícolas ligadas ao café e ao azeite se beneficiam da alta internacional das commodities, o que pode compensar parte das perdas no mercado doméstico.
Fechamento
O avanço na reposição de estoques é um sinal de normalização gradual, mas o desafio agora é estabilizar os preços. A expectativa é que a cadeia de suprimentos siga se ajustando até o fim do ano, dependendo de fatores climáticos e logísticos. Para o investidor, o momento exige atenção aos balanços do varejo e das indústrias de alimentos e bebidas, que devem refletir o impacto dessa recomposição desigual no resultado das empresas.
Fontes: InfoMoney; IBGE; Neogrid
