Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 28 de outubro de 2025

Com a dívida pública atingindo 76,6% do PIB e o retorno do risco de dominância fiscal, o Brasil caminha rapidamente para um colapso orçamentário, enquanto o governo aposta em medidas de curto prazo e políticas de autossobrevivência.
Os números falam por si: o rombo projetado de R$ 35 bilhões no orçamento de 2026 e o endividamento total de R$ 9,4 trilhões, segundo o Banco Central, indicam um quadro de fragilidade estrutural nas contas públicas.
A aritmética, como descreve o autor, “sempre vence” — e o país parece viver sob uma lógica imediatista, voltada ao ciclo eleitoral e não a uma estratégia de Estado.
Política de governo, não de Estado
O texto argumenta que o Brasil vive sob um modelo de gestão pública de horizonte curto, em que cada decreto e medida provisória serve mais ao calendário eleitoral do que ao equilíbrio fiscal.
A MP 1303, que elevou a tributação sobre investimentos e reduziu incentivos de longo prazo, é citada como exemplo de política econômica voltada à narrativa e não à sustentabilidade fiscal.
A crítica central recai sobre a substituição da política de Estado pela política de governo, o que, segundo o autor, teria transformado o país em uma máquina de decisões táticas, sem plano de longo prazo.
Dominância fiscal e captura do Estado
O artigo alerta que o Brasil está se aproximando de um regime de dominância fiscal, em que o endividamento público torna a política monetária ineficaz e a inflação passa a ser o “imposto invisível” que financia o Estado.
O texto cita ainda a estrutura engessada do orçamento federal, no qual quase metade dos recursos é destinada à folha e à previdência, dificultando qualquer ajuste.
Outro ponto abordado é a captura institucional: Executivo, Legislativo e Judiciário seriam movidos por autodefesa política, bloqueando reformas estruturais que poderiam reduzir privilégios e simplificar o sistema tributário.
Segundo o autor, o país enfrenta uma crise de complexidade, com mais de 90 tributos e uma carga administrativa que consome 2.600 horas anuais das empresas — frente a 200 horas na média mundial.
Competência versus fracasso sistêmico
O texto compara o desempenho fiscal de São Paulo, que passou de déficit de R$ 10 bilhões em 2018 para superávit recorde de R$ 11,5 bilhões em 2023, com a deterioração fiscal federal sob gestões do Partido dos Trabalhadores, que governou o país por 17 dos últimos 24 anos.
A analogia utilizada é empresarial: “Se uma empresa tem o mesmo CEO por quase duas décadas e vai à falência, culpa-se o gestor, não o mercado.”
O autor também cita Paulo Guedes como exemplo de eficiência administrativa ao tornar os Correios lucrativos, ressaltando que o bloqueio à privatização teria revertido o resultado, gerando novo prejuízo estimado em R$ 20 bilhões até 2026.
O futuro fiscal e político
A análise prevê que, em 2027, o Brasil entrará em um ciclo de crise aguda de credibilidade fiscal, exigindo um “choque de reformas” semelhante ao modelo implementado em 2016–2018.
O texto defende que apenas um governo com apoio congressual amplo — possivelmente liderado por forças de centro — terá condições de promover uma reforma administrativa real, cortar privilégios e restaurar o equilíbrio das contas públicas.
Visão do Bolso do Investidor
O artigo reflete uma crítica contundente à condução fiscal e institucional do país, destacando a urgência de reformas estruturais para conter o avanço da dívida e restaurar a previsibilidade macroeconômica.
Independentemente da leitura política, os dados apontam para uma tendência de deterioração fiscal contínua e crescente risco de dominância fiscal — cenário que, se confirmado, pode elevar juros, reduzir investimentos produtivos e pressionar a confiança do mercado.
Conclusão
A estabilidade econômica do Brasil dependerá da capacidade de alinhar política fiscal, monetária e institucional em torno de metas realistas e sustentáveis.
Sem reformas profundas e coordenação entre os poderes, o país continuará preso ao ciclo de curto prazo, com custo social e econômico cada vez maior.
Fontes:
- InfoMoney
