Fed corta juros em 0,25 p.p. e acende alerta após shutdown nos EUA

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 29/10/2025


Introdução

O Federal Reserve (Fed) anunciou nesta quarta-feira (29) um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros dos Estados Unidos, que passa a variar entre 3,75% e 4%. É o segundo ajuste consecutivo de mesma magnitude no ano, após a redução feita em setembro. A decisão ocorre em meio à paralisação parcial do governo norte-americano, que tem limitado o acesso do banco central a dados econômicos atualizados, tornando o cenário mais incerto para a condução da política monetária.

Com o anúncio, o Fed sinaliza preocupação com a moderação do crescimento econômico e o aumento gradual do desemprego, ao mesmo tempo em que reconhece os riscos de liquidez e mantém atenção à inflação ainda elevada.


Desenvolvimento

O comunicado do Federal Open Market Committee (FOMC) destacou que os riscos negativos para o emprego aumentaram nos últimos meses e que os indicadores disponíveis — mesmo incompletos devido ao shutdown — apontam que a atividade econômica segue em expansão moderada. O Fed também confirmou que reiniciará compras limitadas de Treasuries (títulos do Tesouro americano), medida voltada a garantir liquidez nos mercados monetários, após sinais de escassez.

A decisão não foi unânime. Dois dirigentes divergiram: Stephen Miran defendeu um corte mais profundo, enquanto Jeffrey Schmid, do Fed de Kansas City, votou por manter as taxas inalteradas, citando o nível ainda alto de inflação.

O banco central ainda anunciou que, a partir de 1º de dezembro, manterá o tamanho total do balanço patrimonial estável, mas reinvestirá os vencimentos de títulos hipotecários (MBS) em Treasuries, movimento que marca uma leve recomposição da base de liquidez.

Mesmo com o novo corte, o Fed reconheceu que a inflação segue acima da meta de 2% e que as incertezas sobre a economia permanecem elevadas. O shutdown, iniciado em 1º de outubro, paralisou órgãos de coleta de dados e tornou difícil calibrar decisões de juros com base em informações confiáveis, algo inédito em décadas de política monetária americana.


Análise do Bolso do Investidor

O segundo corte consecutivo do Fed reforça a tendência de flexibilização monetária global, o que tende a impactar diretamente o Brasil e os mercados emergentes.

Em primeiro lugar, a redução da taxa americana diminui o diferencial de juros entre Brasil e EUA, mas também reduz o apelo do dólar como ativo de renda fixa, favorecendo moedas emergentes e abrindo espaço para valorização do real no curto prazo. Isso pode ajudar a conter pressões inflacionárias internas e dar mais conforto ao Banco Central do Brasil (BCB) para manter o ritmo de cortes da Selic.

Além disso, com menor custo de capital global, investidores internacionais tendem a realocar parte do portfólio para ativos de maior retorno, como ações e títulos de países emergentes, o que pode beneficiar a B3 e fundos que investem em setores cíclicos.

Por outro lado, o corte também eleva as incertezas sobre o ritmo de recuperação da economia americana. Caso o Fed esteja reagindo a um cenário de desaceleração mais intensa, commodities e exportações brasileiras podem sentir o impacto, já que menor atividade nos EUA reduz a demanda global por insumos industriais.

Para o investidor brasileiro, o efeito líquido dependerá da trajetória do dólar e da resposta do BCB:

  • Se o real se valorizar e o risco-país cair, o ambiente será favorável à renda variável e ao crédito privado.
  • Se o corte do Fed sinalizar fraqueza econômica global, o movimento pode se traduzir em volatilidade nos preços das commodities e maior busca por proteção em renda fixa indexada à inflação.

Fechamento

A nova decisão do Fed reforça o compromisso de sustentar o crescimento sem abandonar a meta de estabilidade de preços, mas o contexto de paralisação do governo americano mantém o comitê em um ambiente de visão limitada sobre a economia real. O mercado agora volta as atenções à reunião de 9 e 10 de dezembro, quando o banco poderá indicar se o ciclo de cortes continuará em 2026.

No Brasil, investidores devem observar a reação do câmbio, o ritmo da Selic e o apetite estrangeiro pela renda variável, já que a política monetária americana tende a ditar o humor dos mercados locais nos próximos meses.


Fontes: InfoMoney; Federal Reserve (FOMC); Reuters; Bloomberg.