Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 29 de outubro de 2025

O Bradesco (BBDC4) registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bilhões no terceiro trimestre de 2025, resultado 18,8% superior ao mesmo período do ano anterior, conforme balanço divulgado na noite desta quarta-feira (29).
O desempenho superou as projeções compiladas pela LSEG, que estimavam lucro de R$ 6,05 bilhões, reforçando a retomada gradual da rentabilidade do banco.
Segundo o comunicado da administração, o trimestre marcou mais um avanço no plano de transformação da instituição, com foco em eficiência operacional e retorno ajustado ao risco.
“Continuamos com a mesma tração comercial, mantendo os indicadores de inadimplência sob controle e reforçando nossa competitividade de longo prazo”, destacou o banco.
O lucro líquido contábil também ficou em R$ 6,2 bilhões, já que não houve eventos extraordinários no período.
O presidente-executivo Marcelo Noronha afirmou, em nota à imprensa, que o Bradesco segue comprometido em elevar gradualmente sua lucratividade.
“A consistência da execução do nosso plano de transformação é fundamental. Preservamos tração comercial mesmo com a economia desacelerando”, disse o CEO.
Rentabilidade e carteira de crédito
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) atingiu 14,7%, ligeiramente acima dos 14,6% do trimestre anterior e dos 12,4% registrados um ano antes.
A carteira de crédito expandida cresceu 9,6% em relação ao mesmo período de 2024, totalizando R$ 1,03 trilhão, e avançou 1,6% no trimestre.
Dentro do portfólio, o segmento de Pessoa Física somou R$ 451,6 bilhões, alta de 13,8% na base anual, enquanto a divisão Pessoa Jurídica (PJ) alcançou R$ 582,7 bilhões.
Receita e inadimplência estável
A receita total atingiu R$ 35 bilhões, avanço de 13,1% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.
A margem financeira total subiu 16,9%, impulsionada por maior rentabilidade nas operações de crédito.
Por outro lado, o custo de crédito cresceu 20,1% na comparação anual, refletindo ligeiro aumento da inadimplência e maior volume de provisões. A receita de recuperação de crédito caiu 16,7%, para R$ 805 milhões.
Ainda assim, a inadimplência acima de 90 dias permaneceu controlada, em 4,1%, estável em relação ao trimestre anterior e levemente abaixo dos 4,2% de um ano antes.
Os índices de capital seguem sólidos: o Nível 1 ficou em 13,4%, e o Capital Principal, em 11,4%.
Estrutura e guidance
O banco manteve suas projeções para 2025, prevendo crescimento da carteira de crédito expandida entre 4% e 8% e margem financeira líquida entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões. Até setembro, o indicador acumulava R$ 29,64 bilhões.
Ao final do terceiro trimestre, o Bradesco contava com 2.059 agências, redução frente a 2.168 em junho e 2.355 no mesmo período de 2024. O número de funcionários caiu para 81.657, ante 84.018 um ano antes, refletindo o processo contínuo de digitalização e eficiência.
Visão do Bolso do Investidor
O resultado reforça o processo de recuperação gradual do Bradesco, com expansão de crédito, rentabilidade crescente e controle de inadimplência. O lucro acima das projeções e a manutenção do guidance indicam consistência na execução do plano de reestruturação iniciado em 2023.
Para o investidor, os dados mostram melhora operacional sustentada, o que tende a apoiar o desempenho das ações (BBDC4) no médio prazo, especialmente se o cenário de juros continuar em queda.
Conclusão
Com foco em eficiência e transformação digital, o Bradesco volta a apresentar resultados robustos e previsíveis. O desafio agora é sustentar a expansão da carteira de crédito em meio à desaceleração econômica e preservar margens sem comprometer o controle de risco.
Fontes:
- InfoMoney
