ONU vê “risco alarmante” de guerra nuclear após anúncio de testes pelos EUA

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 31/10/2025


Introdução

A Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO) emitiram nesta sexta-feira (31) um alerta global sobre o crescente risco de um conflito nuclear, após o governo dos Estados Unidos anunciar a possibilidade de retomar testes de armas atômicas pela primeira vez em mais de três décadas.
Segundo o porta-voz da ONU, Farhan Haq, o risco de uma guerra nuclear “já está alarmantemente alto”, e a moratória global de testes deve “permanecer em vigor sob quaisquer circunstâncias”.


Desenvolvimento

O alerta veio após declarações do presidente americano Donald Trump, que afirmou ter instruído o Pentágono a “começar a testar nossas armas nucleares em bases de igualdade”, em referência às capacidades de Rússia e China.
A declaração gerou reações imediatas. Moscou afirmou que poderá retomar seus testes caso outros países abandonem a moratória, enquanto Pequim pediu que Washington respeite o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT).

Em resposta, o secretário-executivo da CTBTO, Robert Floyd, destacou que qualquer teste nuclear, “por qualquer Estado, seria prejudicial e desestabilizador para os esforços globais de não proliferação e para a paz internacional”.
Ele lembrou ainda que o sistema global de monitoramento do tratado é capaz de detectar “qualquer explosão nuclear em qualquer parte do planeta”, o que torna a reativação desses testes um ato de alto impacto político e simbólico.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) reforçou o alerta, afirmando que os crescentes riscos nucleares estão “testando o regime global de não proliferação como nunca antes”.
Entre as ameaças citadas estão a instabilidade das usinas nucleares da Ucrânia, as pendências sobre o programa nuclear do Irã, e as inspeções incompletas na Síria — fatores que, somados, aumentam o risco de uma escalada geopolítica e de corrida armamentista atômica.

O vice-presidente americano, JD Vance, também defendeu a decisão de Trump, afirmando que “testar o funcionamento do arsenal nuclear é questão de segurança nacional”.
Os Estados Unidos não realizam uma detonação nuclear desde 1992, quando aderiram voluntariamente à moratória global.
Uma eventual retomada dos testes seria considerada pela ONU um retrocesso sem precedentes para o regime internacional de controle de armas.


Análise do Bolso do Investidor

A escalada nuclear reacende tensões geopolíticas em um momento em que os mercados globais já enfrentam volatilidade causada por juros altos, desaceleração econômica e incertezas políticas.
Se o impasse entre EUA, Rússia e China se intensificar, o impacto poderá ser direto sobre commodities estratégicas — especialmente petróleo e ouro, ativos tradicionalmente vistos como refúgio em períodos de instabilidade.
Além disso, cresce o risco de fuga de capitais de mercados emergentes, aumento na demanda por dólar e valorização dos títulos de dívida americanos como porto seguro.

Para o investidor, o cenário reforça a importância da diversificação internacional de portfólio e da exposição a ativos de proteção, como ouro e fundos cambiais.
Em um contexto de tensão militar e diplomática, a prudência volta a ser o melhor investimento.


Fechamento

O alerta da ONU é mais do que uma advertência diplomática: representa o temor de que o sistema global de segurança nuclear, construído desde o fim da Guerra Fria, esteja se desestabilizando.
Com potências retomando discursos de dissuasão e testes, o mundo volta a flertar com um período de alto risco estratégico, em que qualquer erro de cálculo pode ter consequências globais.
A próxima semana será crucial para observar se o Pentágono manterá a decisão de testar armas nucleares — e se outras potências seguirão o mesmo caminho.


Fontes: Estadão Conteúdo; Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA); CTBTO; Organização das Nações Unidas (ONU).