Lucro da Vivo avança 13%, mas desaceleração na receita móvel preocupa investidores

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 31 de outubro de 2025

A Telefônica Brasil (VIVT3), controladora da marca Vivo, registrou lucro líquido de R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre de 2025, avanço de 13,3% em relação ao mesmo período de 2024, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (30). Apesar do resultado sólido, as ações da companhia recuaram 3,26%, cotadas a R$ 32,97 no meio do pregão, refletindo a preocupação do mercado com a desaceleração das receitas de serviços móveis.

De acordo com a XP Investimentos, os números apresentados foram “robustos e consistentes”, com destaque para baixo índice de cancelamentos (churn), controle de custos e geração de caixa saudável. O relatório também apontou que o trimestre marcou o início dos benefícios do regime de autorização, que deve reduzir complexidades regulatórias e impulsionar margens.

A Vivo continua sendo nossa principal escolha no setor de Telecom, pela combinação de yield atrativo, portfólio resiliente e perspectiva de crescimento nos lucros até 2028”, destacou a XP.

O BTG Pactual reforçou o caráter defensivo da empresa e manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 31. O banco salientou que a Vivo segue negociando a múltiplos razoáveis, com P/L em torno de 13 vezes e dividend yield projetado de 8%, patamar superior ao de operadoras norte-americanas e semelhante ao da TIM.

Receita móvel em desaceleração

O ponto de atenção veio da receita de serviços móveis, que cresceu 5,5% em base anual, mas ficou abaixo dos trimestres anteriores — avanço de 7,3% no 2T24 e 6,5% no 1T24. O Bradesco BBI observou que o resultado, embora sólido, foi influenciado por fatores não recorrentes, como a venda de ativos, e alertou que algumas tendências positivas vistas no trimestre podem não se sustentar.

A desaceleração da receita móvel e a pressão nos custos de serviços são sinais de que a empresa enfrenta desafios para manter o ritmo de expansão”, avaliou o BBI.

O Itaú BBA compartilhou visão semelhante, apontando que a desaceleração esperada da Receita de Serviços de Telecomunicações (MSR) pode limitar a capacidade de crescimento real acima da inflação. Segundo o banco, a próxima divulgação de resultados será crucial para confirmar uma reaceleração da MSR e consolidar a confiança na retomada do setor de telecomunicações no Brasil.

Ainda assim, o BBA elogiou o avanço em monetização corporativa (B2B) e o desenvolvimento do ecossistema Vivo Total, considerado um vetor importante para crescimento de longo prazo.

Superando expectativas do mercado

A performance da Vivo superou as projeções do Goldman Sachs, que estimava lucro 21% menor. O banco norte-americano ressaltou que o desempenho foi impulsionado por um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) mais forte e alíquota efetiva de impostos reduzida. O indicador cresceu 6,8% na comparação anual, com margem estável e pressão controlada nos custos.

A companhia também reportou ganhos de R$ 232 milhões com venda de ativos de concessões, acima da estimativa do Goldman de R$ 168 milhões, e reiterou sua projeção de R$ 4,5 bilhões em vendas totais desses ativos até 2027.

Reavaliação das recomendações

Apesar dos fundamentos positivos, parte do mercado vê pouco espaço para valorização. A Monte Bravo Investimentos rebaixou a recomendação de compra para neutra, com preço-alvo de R$ 31, destacando o mercado maduro, a entrada de novos competidores — como o Nubank — e múltiplos esticados.

O Itaú BBA manteve visão neutra, com preço-alvo de R$ 35,50, enquanto o Goldman Sachs reiterou compra, com alvo de R$ 34.

Visão do Bolso do Investidor

A Vivo segue como uma das companhias mais sólidas do setor, com fluxo de caixa previsível e dividendos atrativos, mas enfrenta o desafio de sustentar crescimento orgânico num mercado cada vez mais competitivo. A queda na receita móvel acende um sinal de alerta: sem novos vetores de expansão, a valorização das ações pode perder fôlego.

A médio prazo, a monetização de novos serviços digitais e corporativos será decisiva para manter o apelo da empresa entre investidores que buscam equilíbrio entre estabilidade e rentabilidade.

Conclusão

O resultado da Vivo reforça a imagem de uma empresa sólida, eficiente e com bom histórico de entrega, mas que enfrenta o dilema típico das grandes companhias maduras: como crescer sem perder rentabilidade. A desaceleração da receita móvel, mesmo que pontual, indica que o ciclo de expansão orgânica pode estar chegando a um limite natural.

Com a política monetária voltando a enfrentar incertezas e a concorrência ganhando espaço, o desafio da companhia será manter margens elevadas e gerar novas fontes de receita, especialmente no segmento corporativo e digital.

Para o investidor, a mensagem é clara: em tempos de juros mais altos e crescimento moderado, empresas defensivas continuam atrativas — mas o potencial de valorização fica restrito a quem conseguir provar capacidade de expansão real.



Fontes:

  • InfoMoney