Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 02 de novembro de 2025

O boom da inteligência artificial (IA) tem gerado avanços tecnológicos e investimentos bilionários em infraestrutura, mas também está trazendo um efeito colateral cada vez mais evidente: o aumento nas contas de energia dos consumidores.
Um relatório do Bank of America Institute, intitulado “IA provoca aumento nas contas de serviços públicos”, aponta que os pagamentos médios de eletricidade e gás subiram 3,6% no terceiro trimestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Segundo o estudo, o aumento está diretamente ligado ao impacto dos novos data centers que alimentam a expansão da IA.
“O aumento dos preços ao consumidor para eletricidade e gás sugere que a pressão nas contas pode se intensificar nos próximos meses, dependendo de como será o inverno”, alertou o economista David Tinsley, do Bank of America.
A IA e a pressão sobre a rede elétrica
Tinsley explica que o crescimento explosivo de data centers — infraestrutura essencial para o funcionamento de modelos de IA — está impulsionando a demanda por energia e pressionando a capacidade da rede elétrica. “O aumento da demanda por eletricidade tanto pelo desenvolvimento de data centers quanto pelo crescimento da manufatura já está refletido nas tarifas dos clientes residenciais”, afirmou.
Esses custos não se limitam aos grandes consumidores de energia. Segundo o relatório, os investimentos necessários para modernizar e expandir a rede elétrica acabam sendo repassados a todos os consumidores — residenciais, comerciais e industriais.
“A pressão vem dos gastos em melhorias na rede de transmissão e distribuição necessárias para a construção dos data centers, que são incorporados nas tarifas de todos os consumidores”, explica o economista.
Investimentos bilionários, impacto em cadeia
O relatório destaca que uma quantia sem precedentes de capital privado está sendo direcionada à infraestrutura energética para sustentar a nova era da IA. O Projeto Stargate, anunciado em janeiro deste ano, prevê US$ 500 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos para ampliar a infraestrutura de IA da OpenAI nos Estados Unidos, com participação de gigantes como SoftBank e MGX.
Empresas como Microsoft, Google, Amazon, Meta e Nvidia também investiram dezenas de bilhões de dólares na construção e modernização de data centers. Segundo o economista Jason Furman, de Harvard, sem esses investimentos, o crescimento do PIB norte-americano no primeiro semestre de 2025 teria sido quase nulo — apenas 0,1% em termos anualizados.
O alerta dos especialistas
Apesar dos investimentos, o aumento da demanda segue superando a oferta de energia. “Provavelmente há mais alta pela frente”, afirmou Tinsley. “O fornecimento de eletricidade ainda está lutando para acompanhar os aumentos rápidos na demanda devido à intensidade de capital e aos requisitos regulatórios para construir mais capacidade.”
O economista também destacou que soluções como energia solar e armazenamento podem aliviar parte da pressão, mas ainda estão longe de resolver o problema estrutural. “Em um momento em que famílias de baixa renda já estão sob pressão devido ao crescimento lento dos salários, o aumento das contas de eletricidade e gás seria mais um obstáculo. Mas, de forma mais ampla, o aumento das contas de serviços públicos pode ser um freio para os gastos discricionários dos consumidores se os aumentos forem significativos e persistentes.”
Visão Bolso do Investidor
O avanço da inteligência artificial abre oportunidades de longo prazo em tecnologia e infraestrutura, mas também impõe novos desafios energéticos. Para investidores, esse cenário reforça o potencial de setores ligados à geração e distribuição de energia, principalmente renováveis e empresas de utilities com foco em eficiência.
Por outro lado, o aumento nos custos de energia pode pressionar margens de empresas intensivas em consumo elétrico e reduzir o poder de compra dos consumidores, impactando o varejo e o consumo interno. O equilíbrio entre inovação e sustentabilidade energética será um dos temas centrais para os próximos ciclos econômicos.
Fontes:InfoMoney
