Lucro recorde e eficiência histórica: Itaú (ITUB4) supera R$ 11,9 bilhões no 3º trimestre de 2025

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 5 de novembro de 2025

O Itaú Unibanco (ITUB4) divulgou nesta terça-feira (4) seu balanço do terceiro trimestre de 2025 (3T25), reportando lucro líquido recorrente gerencial de R$ 11,9 bilhões, um crescimento de 11,3% em relação ao mesmo período do ano anterior — o maior resultado trimestral da história do banco e em linha com as projeções do mercado.

A expectativa mediana compilada por analistas da Reuters indicava lucro de R$ 11,87 bilhões.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE) consolidado atingiu 23,3%, ante 22,7% em 2024. No Brasil, o ROE subiu de 23,8% para 24,2% no comparativo anual. Apesar da alta na comparação com o ano anterior, o indicador manteve-se estável frente ao segundo trimestre.

Os números reforçam a liderança do Itaú entre os grandes bancos nacionais. Para efeito de comparação, o Bradesco (BBDC4) e o Santander Brasil (SANB11) registraram ROEs de 14,7% e 17,5%, respectivamente, no mesmo período.


Margem financeira e desempenho operacional

A margem financeira total alcançou R$ 31,4 bilhões, com crescimento de 10,1% em relação ao 3T24. A margem com clientes avançou 11%, chegando a R$ 30,5 bilhões, enquanto a margem com o mercado recuou 14,6% no comparativo anual.

Em relação ao trimestre anterior, a margem com clientes ficou praticamente estável (+0,5%), enquanto a margem com o mercado aumentou 5,2%.

O banco destacou que os resultados positivos foram impulsionados pelo maior volume médio de ativos e pelo aumento das margens no capital de giro próprio. No entanto, esses efeitos foram parcialmente compensados por menores spreads e pela redução das margens em operações estruturadas de atacado.

O Itaú revisou para cima sua projeção de margem com o mercado em 2025, elevando o intervalo para R$ 3 bilhões a R$ 3,5 bilhões, ante a faixa anterior de R$ 1 bilhão a R$ 3 bilhões. Em nove meses, essa linha já soma R$ 2,7 bilhões.

A revisão reflete a dinâmica mais positiva do resultado acumulado da mesa de trading em comparação à expectativa original”, informou o banco em comunicado, mantendo as demais projeções para o ano.


Crescimento da carteira de crédito e inadimplência estável

A carteira de crédito total, incluindo garantias financeiras e títulos privados, cresceu 6,4% em relação ao 3T24, totalizando R$ 1,402 trilhão.
Entre os destaques:

  • Crédito imobiliário: +15,2%
  • Cartão de crédito: +6,7%
  • Crédito pessoal: +3,8%

O portfólio de micro, pequenas e médias empresas cresceu 7,5% em um ano, e o de grandes companhias, 9,4%.

O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 1,9%, estável frente ao trimestre anterior. Já o indicador de 15 a 90 dias subiu 0,3 ponto percentual, para 2%, refletindo o impacto de um cliente corporativo específico que entrou em recuperação judicial.

O banco não mencionou nomes, mas o caso envolve a Ambipar (AMBP3), que obteve proteção contra credores no fim de setembro. Segundo o Itaú, sem esse evento, os indicadores de curto prazo teriam permanecido inalterados.

O custo de crédito somou R$ 9,1 bilhões, alta de 10,9% na comparação anual. As despesas de perda esperada atingiram R$ 9,78 bilhões, aumento de 9,5% em relação a 2024.


Eficiência recorde e estrutura operacional enxuta

O Itaú encerrou o trimestre com índice de eficiência de 37,7% no Brasil, o melhor patamar da série histórica para um terceiro trimestre.

O banco destacou que os ganhos de escala e produtividade refletem investimentos contínuos em tecnologia, digitalização e infraestrutura.

As despesas não decorrentes de juros somaram R$ 17,2 bilhões, um aumento de 7,6% sobre 2024, puxadas pelos investimentos tecnológicos e pelo reajuste salarial decorrente do novo acordo coletivo de trabalho.

O banco segue com estratégia de otimização de estrutura física. O número de agências e pontos de atendimento caiu de 2.959 há um ano para 2.617 no fim de setembro. O quadro de funcionários reduziu-se para 93.554 pessoas, ante 96.779 em 2024.


Receitas em alta e resultado financeiro robusto

As receitas de serviços e seguros cresceram 7,1%, impulsionadas por ganhos em emissão de cartões, pagamentos e seguros. O resultado de seguros avançou 17,8%, com destaque para o aumento dos prêmios ganhos.

O resultado financeiro foi um dos pontos fortes do trimestre, subindo 55,1%, para R$ 713,6 milhões, impulsionado pela Selic elevada e pelo desempenho da Brasilprev.

Os ativos totais do Itaú chegaram a quase R$ 3 trilhões, com índice de capital nível I de 14,8% e índice de capital principal de 13,5%, indicando uma posição de capital sólida e confortável.


Visão Bolso do Investidor

O Itaú reforça sua posição de liderança no sistema financeiro brasileiro, combinando lucro recorde, eficiência operacional histórica e expansão sustentável da carteira de crédito.

Com ROE acima de 23%, o banco mantém um nível de rentabilidade superior aos pares do setor, sustentado por controle de custos e sólida geração de caixa.
Para o investidor, o Itaú segue como um ativo de perfil defensivo, com potencial de valorização no longo prazo e perspectiva de forte distribuição de dividendos.

O foco em digitalização e ganho de escala tende a preservar margens em um cenário de juros elevados, mantendo o banco como referência de estabilidade e eficiência no mercado financeiro nacional.

Fontes:

  • InfoMoney