Trump avalia ofensiva militar contra Maduro em meio à escalada de tensões na Venezuela

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 5 de novembro de 2025

Pressões internas na Casa Branca
O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, analisa diferentes opções de ação militar na Venezuela, incluindo ataques diretos a forças que protegem o presidente Nicolás Maduro e possíveis operações para assumir o controle dos campos petrolíferos do país. Fontes oficiais norte-americanas afirmam que, embora o presidente ainda não tenha tomado uma decisão definitiva, parte de seus principais assessores defende uma postura mais agressiva, com o objetivo de derrubar Maduro do poder.

Trump, no entanto, demonstra cautela em autorizar operações que possam expor tropas americanas a riscos significativos ou gerar um fracasso político e militar. Apesar disso, integrantes de sua equipe, como o secretário de Estado Marco Rubio e o chefe de gabinete adjunto Stephen Miller, pressionam por uma ofensiva direta contra o governo venezuelano, argumentando que Maduro e seus aliados militares atuam como líderes do chamado Cartel de los Soles — grupo que Washington designa como organização narco-terrorista.

Justificativas legais e militares
O Departamento de Justiça trabalha na elaboração de pareceres que justifiquem legalmente uma ação militar sem necessidade de autorização formal do Congresso. Essa medida permitiria enquadrar Maduro como alvo legítimo de ataques, apesar da tradição legal americana contrária ao assassinato de líderes nacionais. A justificativa seria semelhante à usada em recentes operações contra suspeitos de tráfico de drogas, em que o governo optou por eliminar alvos em vez de prendê-los em alto-mar.

Enquanto a Casa Branca adota um discurso público oscilante, Trump continua a enviar sinais contraditórios. Em entrevistas recentes, o presidente afirmou duvidar que os EUA estejam “a caminho de uma guerra” com a Venezuela, embora tenha repetido acusações — sem provas — de que Maduro teria liberado criminosos e membros de gangues para entrar nos Estados Unidos. Ainda assim, Trump indicou acreditar que os dias do líder venezuelano “estão contados”.

Escalada militar no Caribe
Nos bastidores, o governo intensificou a presença militar no Caribe desde o fim de agosto. Estima-se que cerca de 10 mil militares americanos estejam na região, metade embarcados em navios de guerra e o restante em bases em Porto Rico. O porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior do mundo, deve chegar ao Caribe em meados de novembro, reforçando o poder bélico dos EUA com caças e aeronaves de vigilância. Além disso, bombardeiros B-52 e B-1 realizaram missões próximas à costa venezuelana em demonstrações de força.

O Pentágono também conduziu treinamentos com unidades de operações especiais nas proximidades da Venezuela, o que reforça a percepção de uma estratégia de pressão psicológica sobre o regime de Maduro. Fontes ligadas à inteligência norte-americana afirmam que Trump cogita autorizar a CIA a executar operações secretas dentro do país, algo raramente discutido publicamente por presidentes americanos.

Riscos e incertezas sobre o futuro
Ainda que as opções militares estejam sobre a mesa, assessores próximos a Trump reconhecem os riscos elevados de qualquer intervenção direta. Uma eventual ação poderia gerar crise internacional, reação negativa no Congresso e instabilidade na região, além de não garantir que um novo governo venezuelano fosse alinhado aos interesses de Washington.

Visão Bolso do Investidor
A escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela pode afetar diretamente o mercado internacional de petróleo, já que o país sul-americano detém uma das maiores reservas do mundo. Um conflito ou sanções adicionais podem elevar o preço do barril no curto prazo e gerar instabilidade nos mercados emergentes. Para investidores, o cenário reforça a importância de acompanhar a geopolítica global como fator relevante na precificação de commodities e ativos ligados à energia.

Fontes: InfoMoney; Bloomberg; Estadão; Reuters; O Globo.