Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 5 de novembro de 2025

Expectativa de manutenção dos juros
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta terça e quarta-feira, 4 e 5 de novembro, para decidir a nova taxa básica de juros. O consenso entre economistas é de que a Selic será mantida em 15%, em linha com a estratégia do Banco Central de garantir a convergência da inflação para a meta dentro do horizonte relevante. A dúvida central, porém, está no tom do comunicado: se o comitê adotará uma postura mais dura (hawkish) ou suavizada (dovish), sinalizando quando pode começar o ciclo de cortes.
Atividade econômica em desaceleração
Desde a última reunião, os indicadores de atividade mostram perda de ritmo no crédito e recuo gradual da inflação, reflexos do longo período de juros elevados. Apesar disso, o mercado de trabalho segue resiliente: a taxa de desemprego permanece nas mínimas históricas, e o país ainda cria vagas, mesmo que em ritmo menor. Segundo o economista Arnaldo Lima, da Polo Capital, a estabilização da dívida pública ainda é um desafio, mas há sinais de menor impulso fiscal, como a queda de 0,6% no consumo do governo frente ao crescimento de 0,4% do PIB no trimestre.
Lima acrescenta que a ampliação das faixas de isenção de impostos tende a estimular a demanda, mas a reação da oferta ainda é incerta, o que mantém cautela entre os formuladores de política monetária.
Inflação será o divisor de águas
O comportamento da inflação é apontado pelos analistas como o principal fator que definirá o tom do comunicado. O relatório Focus mostra melhora nas projeções: a estimativa para 2025 caiu de 4,8% para 4,55%; para 2026, de 4,28% para 4,20%; e para 2027, de 3,9% para 3,8%. Mesmo assim, o Copom pode considerar que essas reduções ainda não são suficientes para garantir a convergência à meta de 3%.
Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, avalia que o Banco Central terá de escolher entre destacar a melhora dos dados correntes e a queda nas expectativas de inflação ou ressaltar que esses avanços ainda são incipientes. “Se o Copom der muita ênfase à melhora recente, pode parecer complacente com as pressões inflacionárias ainda presentes”, afirma.
Atenção ao comunicado do Copom
O ponto mais aguardado é se o comitê manterá no texto a sinalização de que poderia retomar o ciclo de alta de juros “se for apropriado”, ou se esse trecho será retirado, abrindo espaço para uma futura flexibilização. Para Júlio Barros, economista do Daycoval, a retirada dessa frase indicaria que o início do ciclo de cortes pode acontecer já no começo de 2026, entre janeiro e março. Caso o trecho permaneça, o mercado interpretará como um sinal de prudência, empurrando as apostas de cortes para mais adiante.
Mario Mesquita, do Itaú, pondera que, apesar da melhora das expectativas, as projeções de inflação ainda estão acima do centro da meta, e o Copom deve manter o discurso de juros elevados por mais tempo para evitar a desancoragem das expectativas.
Mercado de trabalho e cautela monetária
Na mesma linha, Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, afirma que o mercado de trabalho aquecido e o consumo elevado ainda sustentam pressões sobre os preços de serviços, o que justifica uma política monetária mais conservadora. “Os núcleos de inflação continuam acima da meta, e isso reforça a necessidade de manter a postura cautelosa por um período mais prolongado”, explica.
Arnaldo Lima acrescenta que o cenário internacional também contribui para a prudência do Banco Central. A guerra tarifária global não produziu efeitos negativos imediatos, mas mantém incertezas sobre o comércio e a inflação mundial. Para ele, o equilíbrio entre oferta e demanda ainda não foi restabelecido, o que mantém a inflação de serviços pressionada.
Projeções para o ciclo de cortes
Após a reunião de novembro, o Copom fará um último encontro no ano, marcado para 9 e 10 de dezembro. Em 2026, as primeiras reuniões ocorrerão em janeiro e março. A maioria dos economistas acredita que o ciclo de cortes começará apenas no ano que vem, mas diverge quanto ao momento exato.
G5 Partners e Polo Capital projetam o primeiro corte em janeiro, enquanto Suno e C6 Bank esperam a redução para março. A XP prevê o início também em março, com uma trajetória de seis cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual, levando a Selic para 12% ao fim do ciclo — o que representaria uma taxa real de 7,5%, ainda acima do nível considerado neutro. Já a Reach estima o início em abril. Segundo o relatório Focus, a Selic deve encerrar 2026 em 12,25%, 2027 em 10,50% e 2028 em 10%.
Visão Bolso do Investidor
A decisão do Copom é crucial para o rumo dos investimentos no país. A manutenção da Selic em 15% reforça o cenário de juros reais elevados, o que favorece aplicações em renda fixa, mas limita o avanço da bolsa e o crédito. O tom do comunicado será determinante para calibrar as expectativas do mercado e o apetite ao risco. Caso o Copom adote postura mais dovish, os investidores poderão antecipar movimentos de realocação para ativos de maior retorno, prevendo cortes em 2026.
Fontes: InfoMoney; Bloomberg; Estadão; Reuters; O Globo.
