Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 10 de novembro de 2025

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai anunciar, na próxima terça-feira (11), a criação de uma certificadora nacional de crédito de carbono, em parceria com um grande banco privado e outras instituições. O anúncio oficial ocorrerá durante um evento paralelo à COP-30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
A informação foi confirmada com exclusividade ao Estadão/Broadcast pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que destacou a relevância da iniciativa para fortalecer a credibilidade do mercado de carbono no Brasil e garantir que os projetos nacionais sejam avaliados com base em critérios justos e sustentáveis.
Brasil quer protagonismo no mercado de carbono
Segundo Mercadante, a criação da certificadora representa um passo importante na autonomia e padronização das certificações ambientais brasileiras, reduzindo a dependência de entidades estrangeiras.
“Não se pode comparar um hectare de floresta da Amazônia com um hectare de pinus, como querem nesse mercado”, afirmou o presidente do BNDES, defendendo a valorização da biodiversidade nativa no cálculo e reconhecimento dos créditos de carbono.
O dirigente também ressaltou que o restauro com espécies nativas não apenas preserva a biodiversidade da Amazônia, mas também gera benefícios farmacológicos, alimentares e ambientais de longo prazo.
“É importante tanto para pesquisa farmacológica, quanto para alimentação e para os serviços ambientais que a floresta presta à sociedade”, explicou.
Disputa global por padrões de certificação
Mercadante classificou a iniciativa como uma “disputa dura com os países do Norte”, uma referência ao domínio atual de certificadoras internacionais baseadas na Europa e nos Estados Unidos.
O movimento ocorre em um momento em que o Brasil busca ampliar sua participação no mercado global de créditos de carbono, estimado em mais de US$ 100 bilhões até o fim da década. A expectativa é que a nova certificadora ajude a aumentar a credibilidade e o valor dos créditos nacionais, reconhecendo as particularidades da floresta tropical brasileira.
Visão Bolso do Investidor
A criação de uma certificadora nacional de carbono fortalece a posição do Brasil como protagonista na economia verde global.
Com uma das maiores reservas florestais do mundo e potencial para liderar o mercado de créditos ambientais, o país pode atrair novos investimentos e gerar oportunidades no agronegócio, na bioeconomia e em projetos de energia limpa.
Para investidores, o avanço de iniciativas como essa reforça a importância de acompanhar o setor ESG (Ambiental, Social e Governança), que vem se consolidando como vetor de valorização de ativos e diferencial competitivo em médio e longo prazo.
Fontes:
- InfoMoney
