Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11 de novembro de 2025

Carlos Antônio Vieira diz que setor chegou ao pico da inadimplência e prevê recuperação gradual a partir de janeiro
O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira, afirmou que a inadimplência no crédito rural atingiu o ponto máximo em 2025 e deve começar a recuar no primeiro trimestre de 2026. Em entrevista ao InfoMoney Entrevista, Vieira destacou que o setor passa por um momento de transição após um período de forte expansão de crédito e desafios climáticos, econômicos e jurídicos.
Segundo o executivo, o agronegócio vive uma fase semelhante à enfrentada pelo mercado imobiliário há cerca de 15 anos, quando o excesso de liquidez levou a investimentos desordenados e consequentes dificuldades financeiras. Ele ressaltou que, além dos fatores de mercado, houve também ações oportunistas de grupos que incentivaram pedidos de recuperação judicial de forma indevida, ampliando o impacto da inadimplência. Na Caixa, o índice de inadimplência do setor agro atingiu 7,02% no segundo trimestre de 2025, alta de 4,9 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. O aumento levou o banco a restringir temporariamente novas concessões de crédito para o segmento.
Outros bancos públicos também enfrentam situação semelhante. No Banco do Brasil (BB), principal agente financeiro do agronegócio, a inadimplência chegou a 3,94% no primeiro semestre de 2025, frente a 1,32% um ano antes. A presidente do BB, Tarciana Medeiros, chegou a classificar o movimento de alguns escritórios de advocacia que estimulam ações judiciais como casos de “litigância predatória”, e afirmou que a instituição avalia medidas legais para conter o problema. Vieira, por outro lado, acredita que a tendência de queda da inadimplência começará já no início de 2026, conforme o crédito se reequilibra e os efeitos do atual ciclo de juros e clima adverso se dissipam.
Visão Bolso do Investidor
A previsão de estabilização da inadimplência no agronegócio indica melhora gradual nas condições de crédito rural, fator essencial para a retomada dos investimentos e do fluxo financeiro no campo. Caso o cenário se confirme, o setor deve recuperar liquidez e recompor margens de rentabilidade ao longo de 2026. Para o investidor, a redução da inadimplência tende a beneficiar bancos com forte exposição ao agronegócio e empresas ligadas ao setor agrícola, fortalecendo a confiança em um dos pilares da economia brasileira.
Fontes: InfoMoney; Estadão; Reuters; Agência Brasil; O Globo.
