Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11 de novembro de 2025

O UBS emitiu um alerta preocupante sobre a economia dos Estados Unidos, destacando que o mercado de trabalho — por muito tempo considerado um dos pilares da recuperação pós-pandemia — pode estar em processo de enfraquecimento estrutural.
No relatório “US Economics Weekly”, liderado por Jonathan Pingle, o banco suíço apresenta sinais de que o cenário de “poucas contratações e poucas demissões” pode ter chegado ao fim. O documento aponta risco crescente às famílias americanas e à sustentabilidade da recuperação econômica.
A análise foi divulgada em meio à expectativa de término da paralisação do governo federal, que já dura mais de 40 dias e suspendeu a divulgação de diversos indicadores econômicos oficiais. “Economistas estão, literalmente, voando às cegas”, comparou Erica Groshen, ex-diretora do Departamento de Estatísticas de Emprego dos EUA.
Demissões em alta e contratações em queda
O UBS aponta que os pedidos de seguro-desemprego, anúncios de cortes e avisos formais de desligamento já superam o ritmo pré-pandemia. A consultoria Challenger, Gray & Christmas registrou 157 mil demissões em outubro, o maior volume mensal desde julho de 2020 — com destaque negativo para os setores de tecnologia e logística.
De janeiro a outubro, o total acumulado chegou a 760 mil cortes ajustados sazonalmente, o maior número desde 2009. Empresas como Amazon (14 mil cortes), UPS (48 mil) e Target (2 mil) foram citadas entre as mais afetadas.
“Há muitos trabalhadores disponíveis, e as empresas já não sentem necessidade de manter funcionários por mais tempo do que o necessário”, observou Veronica Clark, economista do Citigroup.
Enquanto isso, as contratações desaceleram fortemente. Excluindo os setores de saúde e assistência social, as folhas de pagamento do setor privado vêm caindo 36 mil vagas por mês, e a pesquisa governamental mostra uma perda líquida de 72 mil empregos mensais até agosto.
A taxa de desemprego subiu ao maior nível desde 2021, e a taxa de participação na força de trabalho caiu, com mais de 800 mil pessoas deixando o mercado, mesmo declarando vontade de trabalhar.
O subemprego (U-6) alcançou 8,1%, um aumento de 0,6 ponto percentual desde o início do ano — reflexo do crescimento de trabalhadores em tempo parcial involuntário.
Mercado sazonal enfraquecido
O relatório mostra que até as contratações temporárias para o fim do ano estão abaixo do padrão histórico. Foram abertas cerca de 400 mil vagas sazonais em setembro e outubro, número bem inferior à média de 625 mil entre 2014 e 2019.
A Federação Nacional do Varejo estima uma queda de até 40% nas contratações de Natal. Grandes redes, como a Target, sequer divulgaram planos de expansão temporária de pessoal.
Esse quadro vem afetando o sentimento do consumidor, cuja confiança medida pela Universidade de Michigan caiu para 50,3 pontos, próxima ao menor nível histórico.
Entre as famílias, cresce a percepção de dificuldade em encontrar empregos, enquanto empresas relatam “piora nas expectativas” diante de inflação persistente e consumo mais fraco.
Federal Reserve dividido
O Federal Reserve (Fed) acompanha com cautela o enfraquecimento do mercado de trabalho. Alguns dirigentes defendem cortes de juros para evitar uma contração mais severa, enquanto outros alertam que a inflação ainda não está sob controle.
Uma das governadoras do Fed admitiu preocupação com uma deterioração “rápida demais”, reforçando a necessidade de reagir com flexibilidade a cada novo dado econômico.
“Se uma banheira está drenando cada vez mais rápido enquanto a torneira permanece igual, o nível da água vai cair”, escreveu a equipe do UBS, usando uma metáfora para descrever a combinação de mais demissões e menos contratações. “Esse é um risco material para as perspectivas econômicas.”
Visão Bolso do Investidor
O relatório do UBS acende um sinal de alerta global: mesmo com juros altos e inflação arrefecendo, o mercado de trabalho americano começa a dar sinais de esgotamento.
Para o investidor, isso pode representar mudança de tendência nos mercados internacionais — com maior volatilidade em ações cíclicas e possível valorização de ativos defensivos, como ouro e títulos públicos de longo prazo.
No médio prazo, o enfraquecimento do mercado de trabalho nos EUA pode levar o Federal Reserve a revisar sua política monetária, o que tende a influenciar as decisões de investimento em economias emergentes, incluindo o Brasil.
Fontes:
- InfoMoney
