MBRF salta 8,15% após balanço do 3º trimestre e divide opiniões entre analistas

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11 de novembro de 2025

O primeiro resultado após a fusão entre Marfrig e BRF animou parte do mercado. A MBRF (MBRF3) apresentou números robustos no terceiro trimestre de 2025 e anunciou uma ampliação do programa de recompra de ações, o que impulsionou os papéis em 8,15%, fechando a R$ 20,30 nesta terça-feira (11).

A companhia informou que o Conselho de Administração aprovou a aquisição de até 64,6 milhões de novas ações ordinárias, com prazo até 24 de março de 2027 — em adição ao volume já recomprado desde o lançamento do programa.

Resultados operacionais

A receita líquida alcançou R$ 42 bilhões, alta de 9% em relação ao ano anterior e 2% acima das projeções do Bradesco BBI. O resultado foi sustentado pelo bom desempenho da Carne Bovina da América do Sul e da BRF, com volumes de 2,1 milhões de toneladas, 4% superiores ao mesmo período de 2024.

O Ebitda ajustado consolidado somou R$ 3,5 bilhões, queda anual de 9%, mas avanço de 15% sobre o trimestre anterior, ficando 3% acima do esperado. A margem Ebitda ajustada ficou em 8,4%, 1,6 ponto percentual abaixo do ano anterior, mas ligeiramente acima da estimativa dos analistas.

O lucro líquido ajustado totalizou R$ 680 milhões, acima das projeções, beneficiado por menor alíquota de imposto, apesar de despesas financeiras mais altas.

A dívida líquida, incluindo arrendamentos e FIDC, somou R$ 48,3 bilhões, aumento de R$ 4,2 bilhões em relação ao trimestre anterior — reflexo do pagamento de R$ 3,8 bilhões em dividendos e R$ 731 milhões em recompra de ações. A alavancagem encerrou o trimestre em 3,6 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses (3,1x excluindo FIDC e leasing).

Opinião dos analistas

Para o Bradesco BBI, a MBRF entregou um resultado sólido dentro das condições atuais do mercado, com margens estáveis na BRF mesmo após o impacto da gripe aviária e crescimento consistente de volumes. O banco destacou a força da plataforma integrada da empresa, combinando “alcance global em carne bovina, liderança em aves e base sólida de alimentos processados”.

O Goldman Sachs avaliou o resultado como consistente, destacando o desempenho da BRF, que apresentou Ebitda 1% acima do trimestre anterior, sustentado por produtos processados e pela retomada parcial das exportações para a China. O banco manteve recomendação de compra.

Já XP e BBI adotaram postura mais cautelosa, com recomendação neutra. Para as casas, a ação ainda negocia com prêmio sobre pares e o ciclo de desaceleração no mercado de aves sugere um cenário menos favorável para empresas do setor.

A Monte Bravo também manteve visão neutra, apontando preocupação com o aumento da dívida líquida e a alavancagem mais alta que concorrentes. O novo preço-alvo é R$ 21,50.

Por outro lado, a Genial Investimentos destacou o trimestre como “janela de oportunidade”, elogiando o desempenho operacional da BRF e a recuperação da Marfrig. A casa ressalta que as ações ainda negociam com desconto expressivo após queda acentuada em setembro e mantém recomendação de compra, com preço-alvo em R$ 23.

De nove instituições consultadas pela Reuters, cinco mantêm recomendação neutra, três de compra e uma de venda.


Visão Bolso do Investidor

O resultado da MBRF mostra os primeiros sinais de integração positiva entre Marfrig e BRF, com ganhos operacionais relevantes e controle de margens em um setor historicamente volátil.
Apesar do otimismo inicial do mercado, a alavancagem elevada e o cenário cíclico das proteínas ainda pedem cautela — principalmente diante da possibilidade de desaceleração nos preços de aves e carne bovina.
Para o investidor, o papel pode representar uma oportunidade tática de curto prazo, mas o case ainda exige monitoramento rigoroso da dívida e da geração de caixa nos próximos trimestres.

Fontes:

  • InfoMoney