IPCA de outubro confirma desaceleração e reforça expectativa de corte da Selic no início de 2026

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação:
12 de novembro de 2025

Inflação acumulada em 12 meses cai para 4,68%, o menor patamar em nove meses, e consolida cenário mais favorável para política monetária

A inflação oficial do país mostrou nova desaceleração em outubro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,09%, abaixo das projeções de mercado, que giravam em torno de 0,15%. Essa foi a menor variação para o mês desde 1998, reforçando o processo gradual de controle inflacionário e fortalecendo as apostas de início do ciclo de cortes da Selic em 2026. Com o resultado, o IPCA acumulado em 12 meses recuou de 5,17% para 4,68%, o nível mais baixo em nove meses, segundo dados do IBGE. A tendência confirma a leitura de que a inflação caminha para encerrar 2025 dentro da meta, atualmente projetada em 4,46%.

Alívio em alimentos e energia puxa desaceleração

Os principais destaques vieram da deflação nos alimentos consumidos em casa e da queda nos custos de energia elétrica residencial. A alimentação no domicílio recuou 0,16%, com destaque para o arroz (-2,49%) e o leite (-1,88%). Por outro lado, a batata (8,56%) e o óleo de soja (4,64%) foram os itens que mais subiram. No grupo de Habitação, a energia elétrica caiu 2,39%, refletindo a redução da bandeira tarifária e a saída do bônus de Itaipu, o que retirou cerca de 0,10 ponto percentual do índice cheio. Essa combinação reduziu a pressão sobre o orçamento das famílias e ajudou a suavizar a inflação de serviços e bens industriais.

Três grupos registram deflação

Entre os nove grupos pesquisados, três apresentaram deflação: Habitação (-0,30%), Artigos de residência (-0,34%) e Comunicação (-0,16%). Em conjunto, esses grupos retiraram 0,06 ponto percentual da inflação do mês. Já Saúde e cuidados pessoais e Despesas pessoais foram os que mais contribuíram para a alta, adicionando 0,11 ponto percentual ao índice geral, com destaque para planos de saúde, produtos de higiene e vestuário.

Inflação converge à meta

De acordo com economistas do mercado, o dado reforça a visão de que o processo de convergência da inflação à meta de 3% está em andamento, embora ainda demande cautela por parte do Banco Central. As instituições financeiras vêm revisando suas projeções: o PicPay reduziu a estimativa para 4,6% em 2025, enquanto o Daycoval projeta 4,5% neste ano e 4,1% em 2026. Para analistas da Armor Capital, o resultado de outubro é ligeiramente melhor que o esperado, mas a inflação de serviços ainda permanece em patamar elevado, o que mantém a política monetária restritiva.

Selic deve começar a cair em 2026

Mesmo após manter a taxa Selic em 15% na reunião mais recente, o Comitê de Política Monetária (Copom) reconheceu sinais de deflação e indicou que uma redução dos juros pode ocorrer no primeiro trimestre de 2026.
O mercado, contudo, segue dividido: parte dos analistas aposta em corte em janeiro, enquanto outros projetam a primeira redução em março, caso os próximos dados confirmem a desaceleração sustentada dos preços.

Visão Bolso do Investidor

O novo dado do IPCA reforça a percepção de que o Brasil entrou em uma trajetória de desinflação gradual, apoiada pela estabilidade cambial e pela queda dos custos de energia e alimentos. Para o investidor, o cenário aponta para maior previsibilidade econômica, com juros elevados por mais alguns meses, mas espaço aberto para uma transição de portfólio — da renda fixa tradicional para produtos com maior potencial de valorização, como ações e fundos multimercado, à medida que o ciclo de cortes se confirmar.

Fontes: IBGE; Banco Central; Daycoval; Armor Capital; SulAmérica Investimentos; InfoMoney