Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13 de novembro de 2025

O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou na noite desta quarta-feira (12) seu balanço referente ao terceiro trimestre de 2025, revelando um forte recuo no resultado. O banco registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,785 bilhões, queda de 60% na comparação com o mesmo período de 2024. O valor praticamente repetiu o desempenho do trimestre anterior, quando o lucro foi de R$ 3,784 bilhões. O lucro líquido contábil, por sua vez, caiu ainda mais: R$ 3,02 bilhões, baixa de 66% em relação ao 3º trimestre do ano passado. O indicador reforça o impacto do ambiente econômico adverso para o setor bancário em 2025.
Queda acentuada no retorno ao acionista
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) também apresentou forte deterioração. O indicador passou de 21,1% no 3T24 para apenas 8,4% no 3T25 — um dos patamares mais baixos registrados pelo Banco do Brasil nos últimos anos. A margem financeira bruta teve leve aumento de 1,9%, alcançando R$ 26,36 bilhões, mas o avanço não foi suficiente para compensar o aumento da inadimplência e o menor ritmo de resultados.
Carteira de crédito cresce, mas inadimplência preocupa
A carteira de crédito expandida do banco cresceu 7,5% em 12 meses, chegando a R$ 1,27 trilhão. O avanço foi puxado por:
- Pessoa Jurídica: +10,4%
- Pessoa Física: +10,4%
- Agronegócio: +3,2%, segmento que responde por cerca de um terço da carteira total
Apesar da expansão, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,2% em setembro, alta de 159 pontos-base em 12 meses e de 0,33 ponto em relação ao segundo trimestre. O indicador reflete o impacto de condições financeiras mais restritivas, além do aumento dos pedidos de recuperação judicial no setor rural.
Visão Bolso do InvestidorO resultado fraco do Banco do Brasil acompanha um ambiente de maior estresse no crédito, especialmente no agronegócio e no varejo. A combinação de Selic alta, inadimplência crescente e menor atividade econômica pressionou os lucros das instituições financeiras em 2025. Para o investidor, o desempenho do trimestre exige atenção redobrada aos indicadores de risco e à tendência de inadimplência, além da evolução do ciclo de cortes da taxa Selic — fator que pode aliviar o custo do crédito em 2026 e favorecer bancos com grandes carteiras pulverizadas.
Fontes: InfoMoney
