Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13 de novembro de 2025

O Bitcoin (BTC) voltou a perder força nesta quinta-feira (13) e caiu abaixo da marca psicológica dos US$ 100 mil, sendo negociado em torno de US$ 98,6 mil no início da tarde, no menor patamar desde maio. O recuo acontece em meio a uma nova onda de aversão a risco nos mercados globais, com investidores reavaliando apostas em ativos mais voláteis diante da possibilidade de o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manter os juros inalterados na reunião de dezembro. Durante a madrugada, a criptomoeda ainda chegou a tocar US$ 104 mil, mas repetiu o padrão recente de perder força com a abertura dos mercados em Wall Street e acumulava queda de 2,7% nas últimas 24 horas.
O movimento negativo não ficou restrito ao Bitcoin. Os principais criptoativos também recuaram, em um dia de correção generalizada no mercado. O Ethereum caía cerca de 5,5%, negociado na faixa de US$ 3,2 mil, enquanto BNB, Solana, Dogecoin, Cardano e Chainlink também registravam perdas entre 3% e 5%. O clima de ajuste se refletiu ainda nas ações ligadas ao setor de cripto e infraestrutura de dados: mineradoras expostas a data centers e inteligência artificial lideraram as quedas em Nova York, com papel como Bitdeer e Bitfarms desabando na casa de dois dígitos, e plataformas ligadas ao ecossistema de ativos digitais, como Galaxy, Bullish, Gemini e Robinhood, também registrando quedas relevantes.
Por trás dessa correção está uma reprecificação mais ampla dos ativos de risco. Após semanas de expectativa dividida sobre os próximos passos da política monetária americana, ganhou força a leitura de que o Fed pode optar por manter os juros onde estão em dezembro, em vez de iniciar um ciclo de cortes de forma mais agressiva. Com as probabilidades de redução ainda próximas de 50% para cada lado, investidores preferem reduzir exposição a ativos mais sensíveis à taxa de juros, como ações de tecnologia, criptoativos e empresas ligadas à nova economia. O cenário é agravado pelo período de menor liquidez provocado pelo shutdown que paralisou o governo dos EUA desde 1º de outubro, distorcendo dados, atrasando divulgações oficiais e aumentando a incerteza em relação ao ritmo da atividade econômica americana.
Nos mercados tradicionais, o reflexo dessa cautela é claro: o Nasdaq 100 recuava cerca de 2,5%, enquanto o S&P 500 caía perto de 1,6%, em um movimento de rotação de recursos das empresas de tecnologia para setores considerados mais defensivos. Os títulos do Tesouro dos EUA também registravam movimento de alta nos yields, com aumento de alguns pontos-base, o que reforça a pressão sobre ativos de risco em escala global. Em um ambiente assim, o Bitcoin volta a se comportar muito mais como um ativo de “beta alto” – isto é, sensível ao humor dos investidores – do que propriamente como um “porto seguro”.
No curto prazo, o comportamento do BTC tende a continuar fortemente condicionado ao cenário macroeconômico, em especial às expectativas em torno do Fed. Abaixo dos US$ 100 mil, o ativo volta a testar uma região simbólica que funciona mais como referência psicológica do que como suporte técnico clássico, mas que pode influenciar o comportamento de curto prazo dos investidores de varejo. Se os próximos discursos de dirigentes do Fed reforçarem a mensagem de juros altos por mais tempo, a pressão sobre criptoativos pode continuar, com espaço para novas rodadas de volatilidade e correções adicionais. Por outro lado, qualquer sinal mais claro de que o ciclo de cortes vai começar em 2026, combinado a dados de inflação mais benignos, tende a aliviar parte da aversão ao risco e pode abrir espaço para uma recuperação parcial dos preços, ainda que em um ambiente de oscilações intensas. Em todo caso, o quadro atual é de incerteza elevada e de forte sensibilidade a notícias, o que exige disciplina e cautela de quem opera no curto prazo.
Visão Bolso do Investidor
A queda recente do Bitcoin e a volta da cotação para abaixo de US$ 100 mil funcionam como um lembrete importante: criptoativos continuam sendo investimentos de alto risco, altamente sensíveis à política monetária dos EUA e ao humor global em relação a ativos de risco. Para o investidor, especialmente o brasileiro, o movimento reforça a importância de enxergar criptos como parcela tática e limitada da carteira, nunca como núcleo de patrimônio ou reserva de emergência. Em um cenário de juros ainda elevados no Brasil e de muita incerteza lá fora, faz sentido priorizar fundamentos, diversificação e horizonte de longo prazo, evitando decisões emocionais baseadas em movimentos de curto prazo – tanto nas altas quanto nas quedas.
Fontes: InfoMoney; dados de mercado de criptomoedas e bolsas internacionais
