Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 14 de novembro de 2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deu sinais de incerteza sobre sua permanência no comando da economia até o fim do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao Estadão, Haddad afirmou que ainda não discutiu com Lula se continuará na pasta em 2026, ano eleitoral, e destacou que já entregou ao presidente todas as tarefas que lhe foram encomendadas no início da gestão. Questionado diretamente se estará na Fazenda em maio de 2026, mês que antecede o prazo de desincompatibilização para quem pretende concorrer nas eleições, Haddad foi categórico: “Eu não sei. Eu não conversei com ele ainda”. O ministro reforçou que não tem pretensão de disputar as eleições de 2026 e que Lula já sabia disso desde o ano passado.
A incerteza também se estende a um eventual quarto mandato de Lula. Haddad admitiu que não sabe se permaneceria no cargo mesmo que a gestão atual fosse renovada nas urnas: “Não sei se eu tenho essa pretensão, vamos ver”. Apesar das dúvidas sobre o futuro, o ministro vive um momento de melhor recepção no mercado financeiro. Questionado se uma eventual saída poderia gerar instabilidade, Haddad minimizou o risco. Segundo ele, a agenda econômica já está consolidada e não depende de sua presença pessoal para seguir adiante. A relação com o PT, que teve atritos no início do governo devido a críticas internas sobre medidas fiscais e ajustes, também teria melhorado, segundo o próprio Haddad. Ainda assim, o ministro ponderou que sempre foi tratado de forma respeitosa dentro do partido.
Além de questões político-eleitorais, Haddad comentou temas que estão em análise na Fazenda — entre eles, a possibilidade de gratuidade no transporte municipal. O ministro afirmou que o governo está realizando uma “radiografia” do setor de ônibus urbanos, mas destacou que qualquer proposta só poderia avançar se for fiscalmente neutra. “Não tenho espaço fiscal para isso”, destacou, reforçando que nenhuma mudança deve ocorrer em 2026.
Visão Bolso do Investidor
A fala de Haddad adiciona incertezas ao cenário político-econômico de 2026, especialmente em um momento em que o mercado se acostumou à condução fiscal atual. Para investidores, a possível saída do ministro pode trazer volatilidade de curto prazo, dependendo de como o governo sinalizar continuidade da agenda econômica. O tema deve ganhar força à medida que o ano eleitoral se aproxima e as discussões sobre nomes e permanência em cargos estratégicos se intensificam.
Fontes:
Estadão; Ministério da Fazenda; declarações públicas do ministro Fernando Haddad; Infomoney
