Inflação abaixo do teto reacende aposta: mercado já vê corte da Selic em janeiro

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 18 de novembro de 2025

Inflação surpreende e abre nova rota para a política monetária

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (17) trouxe um marco importante: pela primeira vez no ano, a projeção do IPCA para 2025 caiu abaixo do teto da meta, recuando de 4,55% para 4,46%. A meta oficial é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto — o que define o teto em 4,50%.

A redução na expectativa de inflação veio acompanhada de leve queda na projeção do câmbio, agora estimado em R$ 5,40. PIB e Selic seguiram estáveis em 2,16% e 15% ao ano, respectivamente. Esse conjunto de dados reforça a percepção de que o processo de desinflação está avançando e aumenta o otimismo quanto ao início do ciclo de cortes de juros.


Focus: medianas das expectativas de mercado

IndicadorHoje202620272028
IPCA (%)4,464,23,83,5
PIB (var. %)2,161,781,882
Câmbio (R$ / US$)5,45,55,55,5
Selic (% a.a)1512,2510,510

Mercado já fala em corte em janeiro

A queda no IPCA projetado, somada ao IBC-Br negativo de setembro, fortaleceu entre analistas a leitura de que o Banco Central pode antecipar o primeiro corte da Selic para janeiro de 2026. A possibilidade, antes considerada prematura, passou a ganhar força nas últimas semanas. Para Volnei Eyng, CEO da Multiplike, é um avanço relevante observar o Focus abaixo do teto da meta pela primeira vez no ano. Já Pedro Ros, da Referência Capital, Gustavo Assis, da Asset Bank, e Pedro Da Matta, da Audax Capital, afirmam que o mercado interpretou o conjunto de dados como suficiente para justificar uma flexibilização mais cedo do que o previsto.

Projeções estáveis reforçam confiança no BC

Um ponto que chamou atenção dos economistas foi a estabilidade das projeções para 2026 e 2027, algo considerado raro em economias emergentes. Esse comportamento indica que o mercado acredita no compromisso do Banco Central com a convergência da inflação, o que tende a reduzir volatilidade e melhorar o ambiente para investimentos e crédito.

Efeitos sobre crédito e investimentos

Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o boletim reforça a mensagem de que o Banco Central tem conseguido ancorar expectativas de forma consistente. Com inflação esperada mais baixa, empresas conseguem planejar melhor seus custos de capital, contratos futuros ficam menos arriscados e bancos passam a ofertar crédito com maior previsibilidade.

Visão Bolso do Investidor

A leitura do boletim Focus indica que a economia brasileira entra em uma fase de maior estabilidade, o que fortalece a possibilidade de um corte antecipado da Selic. Para o investidor, isso significa que o ambiente de juros elevados deve começar a perder força em breve, reduzindo a janela para travar taxas longas ainda muito atrativas na renda fixa.

Ao mesmo tempo, a expectativa de juros menores tende a dar novo fôlego à Bolsa, especialmente em setores sensíveis ao crédito, e contribui para estabilidade no câmbio. O cenário é de transição: ainda favorável para a renda fixa, mas com sinais claros de que o ciclo de juros está próximo de mudar. Aproveitar essa fase exige atenção, equilíbrio e visão de médio prazo.

Fontes: InfoMoney; Banco Central – Boletim Focus; IBC-Br (BCB)