Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19 de novembro de 2025

Investir em títulos prefixados exige uma leitura precisa do cenário econômico. A lógica é clara: quem compra esses papéis está apostando que as taxas de juros vão cair e, portanto, quer travar logo o retorno futuro. Apesar da simplicidade do conceito, trata-se do título público mais sensível a mudanças de expectativas, o que torna a decisão mais complexa.
Ainda assim, o mercado institucional parece ter encontrado uma janela favorável: o momento atual.
Na última quinta-feira (13), o Tesouro Nacional realizou um dos maiores leilões de prefixados do ano, colocando à venda R$ 31,5 milhões em títulos — dos quais R$ 7,5 milhões pagam juros semestrais. A forte absorção mostrou um claro apetite dos investidores.
“Não é impulso, é leitura macroeconômica”
Segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, o comportamento dos grandes investidores mostra convicção:
“O Tesouro colocou um dos maiores volumes do ano e viu o mercado absorver praticamente tudo. A mensagem foi clara: há muito investidor institucional travando rentabilidade agora, não por impulso, mas por leitura macro.”
Essa leitura combina dois fatores, explica Enrico Gazola, economista pelo Insper e sócio da Nero Consultoria:
- O ciclo de cortes na Selic parece próximo, com inflação sob controle.
- Os prêmios atuais ainda estão altos, tornando os prefixados mais atrativos.
Julio Ortiz, CEO da CX3 Investimentos, reforça que a inflação “vem bem comportada” e que o risco de reversão da política monetária “é muito baixo” nos próximos dois anos — reforçando a atratividade dos prefixados.
Com isso, a estratégia dos institucionais é clara: garantir taxas de dois dígitos antes que a curva futura feche.
E o investidor comum: deve seguir?
Embora as taxas atuais (entre 12,68% e 13,64% ao ano) chamem atenção, especialistas recomendam cautela ao investidor pessoa física. A atratividade existe, mas não significa tomar posições grandes de imediato.
Gazola ressalta que, mesmo em janela favorável, é prudente manter diversificação:
- Pós-fixados,
- Tesouro IPCA+,
- E apenas uma parte da carteira em prefixados.
Trevisan reforça que o movimento não é de “all-in”, mas sim de estratégia. Prefixados só fazem sentido para quem tem objetivos de médio e longo prazo e pode carregar o título até o vencimento.
“Quem arrisca sair antes pode transformar um ótimo título em dor de cabeça”, diz.
Quais vencimentos são mais recomendados?
Prefixados intermediários (2027 a 2031)
- Preferidos por Trevisan e Gazola.
- Bom equilíbrio entre retorno e risco.
Prefixados longos (2031 a 2035)
- Exposição tática.
- Fazem sentido para quem pensa em aposentadoria ou busca renda semestral.
Prefixados curtos (até 2 anos)
- Preferidos por Julio Ortiz.
- Menor risco de oscilação e maior previsibilidade diante da queda esperada da Selic.
Como reduzir riscos
Trevisan e Gazola reforçam três princípios fundamentais:
1. Casar prazo com objetivo
Exemplo: título 2035 não serve para quem precisa do dinheiro em 2027.
2. Escalonar vencimentos
Reduz risco, cria janelas de reinvestimento e suaviza impactos de cenários adversos.
3. Entrar aos poucos
Dois ou três aportes diminuem o risco de travar a taxa no pior dia.
E, acima de tudo, respeitar o vencimento: quanto mais perto dele você carrega o título, menor a relevância das oscilações de curto prazo.
Visão Bolso do Investidor
A corrida dos fundos para os prefixados sinaliza uma expectativa sólida de queda da Selic — um movimento que tende a influenciar toda a estrutura de investimentos de renda fixa e, por consequência, a precificação dos ativos de risco.
Para o investidor pessoa física, o momento é favorável, mas exige disciplina: prefixados são excelentes quando carregados até o fim, mas podem gerar perdas relevantes antes disso. O equilíbrio entre pós-fixados, IPCA+ e uma fatia moderada de prefixados tende a oferecer boa relação risco-retorno em um ciclo de queda de juros.
A mensagem mais importante: não é sobre adivinhar o fundo da curva, mas sobre montar uma estratégia que suporte diferentes cenários.
Fontes:
- InfoMoney
