Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19 de novembro de 2025

A Copel (CPLE3) apresentou nesta quarta-feira (19) seu plano de investimentos para o período de 2026 a 2030, projetando R$ 17,8 bilhões em aportes voltados principalmente para ativos de baixo risco e com maior previsibilidade de retorno. A estratégia, segundo a diretoria, privilegia expansão sustentável e alocação eficiente de capital.
Durante encontro anual com investidores, o CEO Daniel Slaviero enfatizou que a companhia não pretende crescer de forma acelerada ou oportunista, mas sim priorizar projetos que gerem valor no longo prazo.
“Não iremos crescer por crescer”, afirmou o executivo.
“Nosso foco é equilibrar dividendos com boa alocação de capital, seja de maneira orgânica ou inorgânica.”
Distribuição lidera os aportes
A maior parte dos investimentos previstos está concentrada no segmento de distribuição de energia, onde a empresa vê oportunidades relevantes para expandir a Base de Remuneração Regulatória (BRR) com novas linhas, subestações e melhorias gerais.
A distribuidora da Copel passará pela maior revisão tarifária de sua história em 2026, processo que a diretoria avalia de forma otimista, apostando em um reajuste que pode ampliar a remuneração da concessão.
Investimentos em geração
No setor de geração, a Copel planeja aplicar R$ 1,3 bilhão na modernização de hidrelétricas até 2030, reforçando a confiabilidade e a eficiência das usinas. Nos ativos eólicos, estão previstos R$ 420 milhões ao longo do período.
A empresa também mira oportunidades no leilão de potência marcado para março de 2026, com planos de disputar contratos para projetos de ampliação das usinas:
- Foz do Areia: +860 MW
- Segredo: +1.260 MW
Transmissão: aportes seletivos
Em transmissão, a companhia pretende investir R$ 1,48 bilhão entre 2027 e 2030, além de R$ 450 milhões programados para 2026. O foco está em reforços na malha existente, já que a concorrência intensa nos leilões recentes reduziu significativamente a atratividade das novas concessões.
“No curto prazo, leilão não passa no teste de rentabilidade”, pontuou Diogo Mac Cord, vice-presidente de Estratégia.
Com isso, a Copel avalia oportunidades de crescimento via aquisições, diante de um movimento de consolidação no setor — motivado por empresas que podem se desfazer de ativos considerados não estratégicos.
Projeto de hidrelétrica reversível
Um dos destaques apresentados foi o avanço de um projeto de usina hidrelétrica reversível de 70 MW, que funcionaria como uma espécie de bateria para o sistema de transmissão, ajudando a suprir picos de demanda no litoral do Paraná, especialmente em períodos como o Réveillon e o Carnaval.
A proposta está em análise pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pode ser enquadrada como “reforço e melhoria”, permitindo retorno regulado. O investimento estimado é de R$ 400 milhões a R$ 450 milhões.
Visão Bolso do Investidor
O plano estratégico da Copel destaca três pontos importantes para investidores:
1. Foco em retorno previsível
Ao priorizar distribuição e modernização de hidrelétricas, a companhia concentra esforços em segmentos mais regulados e com remuneração estável — o que tende a reduzir riscos e fortalecer o fluxo de caixa.
2. Crescimento disciplinado
A mensagem do CEO reforça uma tese de investimento conservadora: evitar movimentos oportunistas e proteger a geração de valor. Esse comportamento costuma ser bem-visto pelo mercado, sobretudo em períodos de juros altos e volatilidade política.
3. Potencial de valorização pós-revisão tarifária
A revisão tarifária de 2026 pode ser um gatilho relevante, sobretudo se aumentar a BRR da distribuidora. Como a distribuição concentra grande parte dos aportes, qualquer ganho regulatório pode impulsionar resultados futuros.
Para investidores que acompanham o setor elétrico, a Copel se posiciona como uma empresa com visão de longo prazo, solidez operacional e estratégias alinhadas à preservação de valor — um perfil que tende a interessar quem busca previsibilidade em meio à volatilidade macroeconômica.
Fontes:
- InfoMoney
